Voar sem capa.

Inscrevi-me no mestrado em 2012, motivada pela oportunidade de validar a experiência profissional já desenvolvida em contexto escolar. Estava no 8º mês de gravidez.

Convencida com a ideia que me tinham “vendido”, de que a maternidade era um estado de graça constante e que não havia nada de que tivéssemos de abdicar nesse caminho (desde que a isso estivéssemos determinadas), lá fui eu, ingénua, a pensar: Olha que boa ideia para aproveitar o tempo da licença de maternidade!

O expectável aconteceria, no mês de Setembro seguinte: matrícula congelada. Por tempo indeterminado.

Acredito que a maternidade nos traz uma espécie de super-poderes: a capacidade de estar dias, meses, anos, sem dormir 6 horas seguidas e ainda assim não falhar uma noite, o dom de entender o choro, de ler a expressão facial, de conhecer de cor a temperatura do corpo e de pressentir, sempre que estão a tramar alguma… São tantas as aprendizagens que se fazem e as forças que se descobrem que, às vezes, corremos o risco de achar que somos super-mulheres.

Não somos.

Não vamos conseguir fazer tudo no momento certo e da forma como planeámos. Não vamos conseguir sentir-nos sexy, só porque é preciso manter a chama acesa. Não vamos conseguir trabalhar até tarde todos os dias e não vamos cumprir todos os prazos que estabeleçamos. E vamos sentir, muitas e muitas vezes, que não conseguimos estar inteiras em nada, porque temos os pedaços espalhados por aí. Assim será, até que, devagarinho, consigamos aceitar tudo o que em nós mudou e acarinhemos as falhas como parte do processo, entendendo-as como forças para o caminho.

Aprendi com o tempo, que a maternidade precisa de tempo e que sempre que tentamos ser menos exigentes connosco e nos borrifamos naquilo que esperam de nós, aproximamo-nos do que de melhor temos cá dentro e damos aos sonhos a tranquilidade de poder esperar, em fogo lento, que nos aquece mas não nos consome.

Passaram-se 5 anos. Já leio outras coisas que não os livros do Mário Cordeiro, já vou a concertos, já faço planos de viagens com amigos, vou começar as aulas de pilates e até já escrevo num blogue.

Passaram-se 5 anos e no dia 12 deste mês defendi a minha tese de mestrado. E hoje, eu que todos os dias me orgulho dos feitos de quem me rodeia e lhes invejo a força e a coragem, não vou envergonhar-me de dizer que me sinto também, orgulhosa de mim.

Por todas as razões certas. Por ter sabido abrandar, sem desistir. Por ter sabido aceitar, sem esquecer e por continuar a correr atrás de tudo o que me faz sentido.

Por te trazer comigo. Tu, que serás sempre, o meu maior feito.

12 thoughts on “Voar sem capa.

  1. é exatamente isso. abrandar, não exigir a perfeição, ter tempo sem culpa para fazer népia, ser-se quem se é, sem contemplações. parabéns por conseguires sempre tudo e estares inteira no que fazes. mil parabéns.

    1. Mesmo. Ninguém disse que era fácil, mas é muito, muito importante.A vida vai-nos ensinando umas coisas e as pessoas de quem gostamos também. Obrigada por seres uma delas 🙂 beijos muitos

  2. Muito bem minha Rita. Sim, porque acho que também és um pouco minha. Pela simples razão que gosto muito de ti. Tu és capaz disso e de muito mais. Tu és a força! Go on. Já agora muitos parabéns!

  3. Pois é isso mesmo… algumas de nós ( mães) ás vezes levamos é algum tempo a perceber que assim é. Parabéns por nesse primeiro bebé já teres entendido assim a vida …e partilhares . Obrigada … vamos avisar mais mamãs !

    1. O tempo ajuda sem dúvida. E quando esse entendimento acontece e o reconhecimento de que não temos de ser perfeitas é finalmente aceite, tudo se torna tão mais fácil e mais vivido. Obrigada Dora, pelo carinho e pela partilha 🙂 beijos

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