Quantos filhos tens?

Há muito que me apetece escrever sobre isto.

Há muito que o adio, talvez porque pôr no papel é também uma forma de tornar matéria aquilo que se pensa, trazer à tona o que se sente…

Ao ler o que a Joana escreve, vi serem minhas as palavras que usa. E assim, sem que a conheça, e de uma forma tão crua, tão honesta e tão necessária, a Joana trouxe-me a vontade de escrever sobre mim.

Há quatro anos que sou mãe.

Há quatro anos que aprendi a viver com o coração fora do corpo. Lugar comum eu sei, mas até hoje não encontro outra expressão que traduza, de modo tão literal, a experiência da maternidade.

Quando nos nasce um filho, nasce outra de nós. Aquela que tem de saber tudo, aquela que tem de estar pronta para tudo, a que é exemplo de vida 24 horas por dia, a que se apaixona para a eternidade. A que tem sono, mas tem de estar acordada. A que tem medo, mas tem de o enfrentar. Aquela que é filha, que é mulher, que é amante, que tem uma carreira, que é amiga e que, para além de tudo isto, agora, também é mãe.

Quando tens um filho, perguntam-te pelo segundo e justificam: “Ah, e tal, os filhos únicos são tramados, não aprendem a partilhar…”, ou “Agora só falta o mano/a para ficarem com um casalinho”.

Quando tens dois filhos (e se são do mesmo sexo), contra-argumentam: “Pois, mas agora tens de ir ao terceiro para ver se acertam na/o menina/o.”

Felizmente, ao terceiro, os ânimos tendem a acalmar até porque “três é a conta que deus fez”. Ou não… E tu pensas: “Raios os partam, que nunca estão satisfeitos!”.

Acontece que, no meio desta coisa maravilhosa que é a diversidade humana, há pessoas que não querem ter filhos.  Há pessoas que só querem ter um filho e há pessoas que querem ter filhos enquanto tal lhes for possível. E ainda há as que não podem tê-los.

Por isso, e porque a decisão exige uma responsabilidade e coragem brutais (pelo menos para mim), quando me perguntam pelo segundo, a minha resposta é, simplesmente, “Não sei.”

Não sei se quero, nem sei se posso. Não sei se demora muito ou se é já amanhã. Não sei, porque ainda estou a encaixar esta mãe nos outros pedaços de mim e isso, por si só, basta-me. Preenche-me. Pelo menos por agora.

Quando nos nasce um filho, nasce-nos na boca o sabor do maior amor do mundo e isso tem tanto de maravilhoso como de absolutamente assustador, para que saibamos assim, de chofre, qual é a nossa soma.

 

6 thoughts on “Quantos filhos tens?

  1. Olá, durante 14 anos fui mãe de um só filho e dediquei-me de corpo e alma, e foi uma experiência maravilhosa embora por ter sido mãe muito jovem também tenha tido as suas complicações e frustrações. Quando voltei a engravidar não sabia se iria conseguir amar mais alguém da mesma maneira… e sim tudo surgiu naturalmente. ..
    Agora já tenho 3 filhos e gostaria muito de ir ao 4, mas não sei se tenho coragem de estar novamente grávida, e desta vez, com 2 pequeninos. É claro que tem sido um pandemónio, por vezes nem saber em que cama estou, ou ir ao wc e ter um ao colo e o outro a contar o que fez na escola, nesse dia, ou estar a fazer o jantar com um agarrado a uma perna e o outro ao colo…
    Mas sei que ser Mãe é maravilhoso!!!

    1. É mesmo Susana, maravilhoso e absolutamente recompensador, mesmo com os momentos de pandemónio e de loucura que também fazem “parte do pacote”. 😉 Muito grata pela sua partilha.

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