O que se diz dos amigos…

Diz-se dos amigos que são para as ocasiões. Na adolescência, são para quase tudo.

Os amigos constituem um pilar fundamental do desenvolvimento adolescente, permitindo aos jovens treinar relações sociais, partilhar experiências, desenvolver sentimentos de confiança e de empatia pelo outro.

É a sensação de se ser aceite e de se estar ligado a alguém, que não a família (habitualmente o nosso “porto seguro”), que favorece a autoestima, dando pouco espaço a sentimentos depressivos, de tristeza e de solidão. São afinal as amizades que estabelecemos ao longo da vida, que nos ajudam a valorizar o outro, a negociar comportamentos, a alimentar as relações afetivas e a testar os nossos próprios limites pessoais.

Ora, para os pais, que durante muito tempo se sentiram protagonistas da vida destes seres que viram nascer é, por vezes, um processo difícil o de sentir (e aceitar), a necessidade do jovem de crescer fora de casa, de ler o mundo através dos amigos e de sentir que só eles o compreendem.

Ter um adolescente em casa é viver com alguém que é mestre na arte de contestar e de nos tirar do sério, levando-nos muitas vezes a perguntar: “Mas onde é que está o/a meu/minha filho/a?”. É por isso importante entender e também aprender a lidar com estes movimentos de autonomia, assumindo muitas vezes uma espécie de papel secundário, sem nunca deixarmos de estar presentes, atentos e nos fazermos ouvir.

Neste jogo de equilíbrio entre autonomia e controlo parental, algumas sugestões poderão ser boas premissas para uma saudável convivência familiar como, por exemplo, definir em conjunto as regras fundamentais e as consequentes punições do seu incumprimento e, estar disponível (verdadeiramente), para ouvir as opiniões dos nossos filhos, procurando valorizar aquilo que nos aproxima, ao invés daquelas que são as nossas diferenças.

A família e a qualidade das relações que nela se estabelecem, são preponderantes para a capacidade do jovem se relacionar com os outros de uma forma positiva, segura e autónoma. É, por isso, fundamental esta certeza por parte dos pais, de forma a que se sintam confiantes em relação ao crescimento dos seus filhos e que entendam este “alargar dos horizontes relacionais” como um caminho normativo e desejável que é preciso trilhar com eles, no sentido da construção da sua identidade e da sua autonomia.

E já agora, porque não relembrar o adolescente que fomos? E celebrá-lo, na forma como nos relacionamos com os nossos filhos.


Artigo publicado no website janela aberta à família (ARS Algarve)

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