Adolescentes fomos nós

Adolescentes fomos nós.

“Não tenho que esconder a minha infância e muito menos a minha feliz adolescência , considerando “adolescência ” a partir dos 12 aos 16 anos, dado que nasci numa época onde se considerava a adolescência (ou nem nisso se pensava!) a partir dos 13 /14 anos de idade, quando aparecia a 1ª. menstruação e logo, as nossas mães diziam às amigas, classificando-nos de “mulherzinhas”…“Sabe vizinha Beatriz, a minha Nini, já lhe apareceu o período, já é mulherzinha!” … 

Foi o meu caso, e de todos os meus amigos da época…éramos crianças  até esse dia acontecer….Quanto aos rapazes a sua evolução era mais lenta e só se sabia que estavam a entrar noutro estádio da vida, quando despertavam pela cara, rompendo-a,  sinais de pequenas borbulhas, a que as pessoas chamavam “espinhas …” Curiosamente eles não eram chamados de “homenzinhos”, mas sim, dependiam da afirmação visível para todos…“Ah! já viu, o meu João já está a ficar um ” homem!”

Isto é apenas um esclarecimento , pois nós raparigas, não  recebíamos  quaisquer noções do que se passava no nosso corpo, e na transformação natural, que  nos deveriam dar,  informando-nos , quer pais, professores ou amigos mais próximos…das fases naturais do nosso crescimento fisico ou hormonal….Era os anos 40/50 , onde tudo era segredo, fazendo parecer o natural,  quase um pecado.

Eu, Nidia, a quem chamavam de Nini, era uma criança alegre, bem disposta, uma razoável estudante e com muitas amigas e amigos… Éramos quase irmãos sem maldade, embora acanhados  e desconhecedores da palavra sexo..

Eu, brincalhona e ladina como era, cedo fui “abrindo os olhos”, pois as minhas amigas eram sempre mais velhas do que eu, e foram as minhas “mestras”, nos conhecimentos que a minha mãe, não teve capacidade de me dar, apesar de ser professora… 

Enfim…os tempos falam por si….A Evolução foi-se fazendo pouco a pouco e as escolas foram abrindo horizontes… . 
Contudo, fui uma adolescente estudiosa, amiga dos seus amigos,preocupada com os outros, sonhando amor , como qualquer uma de nós…
Considero como o fato, que mais me marcou, o meu primeiro baile, pois nunca havia dançado com rapazes… Andava , então, num colégio misto, numa terra alentejana, Cuba, e o diretor, pessoa dura, esquizófrénico e sempre mal encarado, atendeu o pedido dos alunos e deixou que no largo espaço do recreio, fizessemos o nosso tão esperado baile. Tinha eu, então 16 anos…
Juntávamo-nos na casa de uma ou outra colega, e riamos só de pensar, o que nos poderia acontecer…
Vestidas como ” senhoras”, sapatinhos de meio salto, as primeiras meias de seda, lá nos juntamos aos garotos , vestidinhos a rigor com gavatinha e tudo, e dançámos até à meia noite… 
Havia rapazes já muito mais velhos , e até já homens feitos de vários anos , e nunca esquecerei a declaração de amor, dum rapaz com 22 anos, o Caixinha, que me fez uma linda declaração de amor..
Foi a 1ª. vez, que me encontrei numa situação igual, mas ” portei-me como uma senhora…”,
Agradeci dizendo que era muito nova e não queria namorar… 
Parece que recordando esta noite, ainda oiço as palavras do meu apaixonado::
 – « Nidia, és tão bonita…gosto tanto de ti…um dia quero casar contigo,..»
O nosso diretor portou-se muito bem, e no dia seguinte elogiou o nosso comportamento…”
Nídia, 86 anos

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