Ansiedade nos testes. A nossa tarefa.

Já por aqui falámos no impacto que a ansiedade pode ter nos jovens, transformando os momentos de avaliação numa verdadeira dor de cabeça, capaz de os impedir de enfrentar de forma mais positiva e saudável, os desafios com que lidam em contexto escolar.

E tal como existem estratégias que lhes podem facilitar a vida, ajudando-os a lidar de forma mais adaptativa com o stress, também nós, como em tantas outras situações, podemos ter um papel fundamental nos momentos que antecedem os testes e nos momentos que a eles se seguem. Vejamos como:

Aprender com eles. Uma óptima maneira de testar as aprendizagens feitas é deixá-los explicar-nos os conteúdos que tenham estado a trabalhar, ou fazer-lhes perguntas e deixar que respondam por palavras suas;

Não insistir demasiado com afirmações como: “É só mais um teste…” ou “Não te preocupes tanto!”. A intenção é boa e até pode ser tranquilizadora para alguns, no entanto, quando eles se preocupam demais, pode fazê-los sentir que não compreendemos o que sentem. Quando assim é, é preferível lembrá-los de outras situações semelhantes pelas quais já passaram e a forma como conseguiram ultrapassá-las;

Pensar em conjunto algumas estratégias que possam apoiar no momento do teste, e treiná-las: respiração mais consciente e profunda, pensamentos tranquilizadores e promotores da auto-confiança; leitura atenta dos enunciados, gestão do tempo e das respostas (passando à frente as questões mais difíceis para voltar a elas mais tarde, por exemplo);

Pô-los a dormir. Não, não se trata de os “sedar”, mas sim de garantir que têm uma boa noite de sono. Deitarem-se tarde e estudarem intensivamente na véspera do teste apenas alimenta a ansiedade e contribui para uma maior insegurança, sempre que percebam que há conteúdos que não dominam tão bem. Um banho quente, uma refeição tranquila e um pouco de conversa em família antes de dormir, podem ser boas ajudas, para que consigam relaxar e ter um sono mais reparador, que deixe o cérebro preparado para dar o seu melhor no dia seguinte;

Encorajar a reflexão sobre o processo: “O que funcionou? O que não funcionou? O que é poderias ter feito de diferente?” Ajudar a pensar sobre a forma como se preparam para o teste e como se organizam na hora H, pode contribuir para que sejam capazes de identificar comportamentos a alterar ou pelo contrário, valorizar outros como estratégias eficazes e portanto, a manter.

E por último, e talvez a ideia mais importante a transmitir-lhes: “Tu não és um resultado num teste ou num exame e o teu valor vai muito mais para além disso.”

Terem a certeza de que sabemos disto, contribui para fazer crescer a força que lá dentro empurra para a frente e faz crer, que mesmo que a vida não seja perfeita todos os dias, é em nós que mora o sol capaz de nos guiar por muitas e muitas conquistas.

Vida de escola

Nos corredores da escola já todos caminham com maior segurança. Professores e alunos conhecem-se melhor, os horários e as salas já estão na cabeça e o corpo habituou-se às novas rotinas. É momento pois, de agitar as hostes e começar um período temido por muitos: o dos primeiros testes de avaliação.

Conheço de perto o stress que os testes provocam nos alunos, o medo da avaliação, a competitividade entre colegas…

Percebo-os, porque acho que continuamos a atribuir um peso demasiado elevado a estes “termómetros do conhecimento” que, muitas vezes, instigam ao empinanço e posterior cuspidela, dos conteúdos de uma determinada matéria prevista no currículo.

Percebo-os, porque continuamos a achar que a honra de um aluno se mede pelas notas no final do ano e a insistir em premiá-lo pelo resultado, e não pelo processo.

Esta é a escola que ainda temos e pese embora a necessidade de mudança, não deixa de ser necessário que tenhamos a capacidade de nos adaptar àquelas que são as suas exigências. E nesta adaptação, à família destina-se também uma espécie de papel principal.

É em casa que os adolescentes podem chorar frustrações, é em casa que podem assumir o medo de não estar à altura, é em casa que podem “explodir”, na certeza de que, quem os rodeia, não vai desatar a fugir. Estes, representam um dos grandes desafios de se ser família, mas são também algumas das suas maiores virtudes.

Aprender a estudar constitui uma importante estratégia para lidar com o stress perante a escola, contribuindo para que as notas melhorem e os estudantes se sintam mais confiantes perante situações de avaliação. Neste caminho, aos pais, pode ser importante:

Compreender as dificuldades por que passam e aceitar a importância que lhes atribuem. Podem existir mil e uma razões que explicam uma maior resistência ao estudo: medo de falhar, dificuldade numa determinada matéria ou a necessidade de maior apoio.

Aceitar que lhes seja difícil chegar a casa depois de um dia inteiro de escola e ainda ter de fazer trabalhos de casa ou revisões da matéria (basta pensares em ti e naquilo que te apeteceria realmente ao final do dia…). Aqui pode ser útil relaxar um pouco para depois ajudar a começar, definir objetivos diários, claros e atingíveis tendo em conta as tarefas a desempenhar.

Ajustar expectativas. Muitas vezes, sem intenção, colocamos padrões demasiado altos aos nossos filhos, que os constringem e aumentam a pressão. É de longe mais importante valorizar o esforço e a dedicação a uma determinada tarefa, do que o resultado que dela advém.

E por fim, mas igualmente fundamental: ser flexível. Manter uma rotina de estudo é importante, quebrá-la de vez em quando, também. Uma vez por semana façam alguma coisa de que gostem, em família. Ir ao cinema, fazer uma caminhada ao final do dia, comer um gelado, ou até, “não fazer nenhum”.

Aquilo que vos faça sentir bem, dar-vos-á também a força para continuar a fazer face aos desafios e receber as conquistas que a escola da vida ou a vida na escola nos trazem, todos os dias.