Não são “pós de perlimpimpim”, mas ajudam…

Sim eu sei… sou um pouco avessa a manuais de instruções mas, a pedido de muitas famílias, aqui proponho algumas pistas sobre as quais pode ser interessante pensar. Sobretudo, quem tem filhos assim a ficar para o crescido…

  1. Esquece tudo o que pensaste que seria ser mãe/pai de um/a adolescente. A realidade supera todas as expectativas.

  2. Habitua-te ao humor imprevisível, aos comportamentos impulsivos, à alterações emocionais, à necessidade de uma maior privacidade.. E respeita-os. Fazem parte do processo de crescimento e, como tudo, têm uma explicação. Neste caso, é neurológica.

  3. Não insistas em querer que concordem com tudo o que dizes. Aliás, é até desejável que não o façam. Uma das características mais interessantes da adolescência é a procura de significados próprios, a necessidade de contestar, o espírito pouco conformista… São estes movimentos que lhes permitirão construir a sua própria identidade e definir-se enquanto pessoas.

  4. Conversa muito, ou pelo menos, mostra que estás por perto e que podes ouvir, sem pré-julgamentos (mesmo que a vontade de dizer meia dúzia de coisas te roa por dentro). Isto não quer dizer que não dês a tua opinião e que não te faças ouvir, mas fará sentir que estás disponível e que contigo poderão contar, mesmo que as coisas corram mal. Incondicionalmente.

  5. Se já o eras, mantém-te beijoqueira/o (mas com discrição e sentido de oportunidade). Há sítios proibidos como o portão da escola ou os jantares de amigos mas, mesmo que o contestem, não há nada que lhes saiba tão bem como um abraço ou um miminho no momento certo. Tenhamos nós 5, 15 ou 50 anos.

  6. Janta com os teus filhos. Vários estudos demonstram que as refeições em família funcionam como um ritual protetor, relativamente à adopção de comportamentos de risco na adolescência.

  7. Participa em atividades comunitárias. Vai ao teatro, a concertos, exposições… E leva-os contigo. Todas as experiências culturais e artísticas a que possam ter acesso na infância e na adolescência, contribuirão para o autoconhecimento e para o seu desenvolvimento pessoal e social.

  8. Incentiva-os sempre a avançar para um desporto. Existe uma associação muito positiva entre a prática desportiva e o desempenho escolar, sendo a primeira uma excelente forma de libertação das tensões acumuladas e de estimulação da atenção, da reflexividade… Para além disso, a maioria dos desportos não se compadece com estilos de vida pouco saudáveis, o que só por si, é um fator extremamente positivo.

  9. Não queiras ser amiga/o dos teus filhos (leia-se: “não queiras substituir os amigos dos teus filhos”). Os pais e mães demasiado cool e intrusivos, deixam os adolescentes confusos. É fundamental que cada um se assuma no seu papel e não “misture as águas”. A referência de um pai ou de uma mãe é fundamental como modelo de responsabilidade, apoio e sabedoria para lidar com a realidade. Para além disso, existirão sempre coisas que se contam aos amigos e não aos pais. E ainda bem.

  10. E por último, mas não menos importante, CUIDA DE TI. Tu és, e serás sempre, o principal modelo dos teus filhos. É contigo que aprenderão a amar a vida, a relacionar-se com outros, a querer o melhor para si, a não desistir… Se fores feliz, ensinarás a sê-lo também e a não abdicar disso.

E chegados ao fim, são 10.

Que não sejam mandamentos, até porque não acredito em relações imaculadas e perfeitas. Acredito sim, que as relações crescem nas suas imperfeições, desde que tenhamos a coragem de as reconhecer e aceitar em nós, mantendo assim viva a certeza, de que todos os dias são dias a estrear e por isso, dias bons para aprender.

Aprender a ser pais de coração cheio, para aqueles que serão, sempre, a melhor parte de nós.