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É p´ró menino e p´rá menina…

 

Sim, eu prometo que este é o último texto sobre a temática natalícia. Até eu já estou farta disto. Mas a verdade é que depois de todos os desabafos sobre a azáfama da época e as peripécias do senhor das barbas, achei que o mínimo era partilhar convosco algumas ideias para presentes felizes que, mesmo que não tenham sido pensados pelos mais pequenos, farão com certeza as suas delícias.

Ficam por isso algumas sugestões, já testadas e aprovadas pelo especialista cá de casa:

Jogos de madeira. Podem ser comboios, casinhas de bonecas, puzzles, instrumentos musicais… São bonitos (às vezes apetece-me pô-los a decorar a sala), não precisam de pilhas, apelam à imaginação, deixam memórias e duram imenso tempo (ao contrário do plástico fantástico).

Brinquedos artesanais: pensar num brinquedo como uma peça única, criada por alguém que pôs nele o seu tempo e a sua dedicação, torna tudo mais especial. Transmitir essa ideia aos miúdos falando-lhes sobre a história de quem deu vida àquele brinquedo, contribui para quem entendam este valor e o procurem nas escolhas que façam. O projeto Biscoitos é um projeto assim, bonito e concebido com muito amor, em que cada detalhe conta uma história feliz e nos prepara para muitas outras.

Jogos de tabuleiro ou outros. Por cá os preferidos são o mikado, o xadrez, o jenga, o dominó, o jogo da memória e um baralho de cartas. São jogos com benefícios enormes ao nível da aprendizagem, da memória, da atenção, da motricidade fina, e são ainda uma excelente forma de terminar os serões. É tempo tranquilo e tempo em família, que permite matar as saudades e ainda contribui para sonhos bons;

Pincéis, tintas, marcadores, blocos de papel, barro, plasticina… Tudo o que permita explorar materiais, conhecer melhor as cores, experimentar texturas, arriscar o traço é, na minha opinião, do melhor que há para estimular a criatividade, o conhecimento e a livre expressão de emoções e sentimentos;

Livros. Sempre e muitos. Há, hoje em dia, livros para crianças de enorme qualidade. Desde os textos, às ilustrações, aos temas abordados… a maior dificuldade será sempre ter de escolher. Um dos nossos preferidos é o “Pássaro da Alma” de Michal Snunit, que vale a pena conhecer (para miúdos e graúdos);

Música. Pode ser um cd de qualidade, como por exemplo o “Mão Verde” de Capicua e Pedro Geraldes, que é também um livro, ou podem ser instrumentos musicais, como um ukulele, uma pandeireta, uma viola, uma flauta… Cá em casa temos alguns e é sempre uma alegria imensa organizar os concertos em família;

Experiências. Vou tirar esta da manga pela primeira vez este ano e embora ainda esteja a magicá-la, a ideia é pensar numa atividade/ momento em família (um concerto, uma viagem, uma ida ao cinema, um piquenique…) e oferecê-lo num postal ou até num desenho. Valoriza os momentos (mais do que os presentes materiais) e é mais uma oportunidade para estarmos juntos a “experimentar”.

E, para terminar, uma ideia de que gosto muito: um globo terrestre, daqueles iluminados. Oferecemos um ao Manel há uns dois anos e sempre que falamos de um país novo lá vamos nós, a pedido, apontar onde o dito fica. Pode ser que seja um empurrãozinho para fazer crescer a vontade de mundo.

Assim eu gostava que fosse.

P.S – E porque eu já prometi que este era o último texto de inspiração natalícia, cá vai o desejo de um Natal com maior significado, gratidão, momentos felizes e sorrisos bons de quem nos faz suspirar por mais… Ah, se ainda vos aparecer por aqui um postalito, perdoem-me, é da febre da época…

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Natal sem pilhas. Sim, outra vez…

Depois do desabafo no boicote ao camião da Patrulha Pata, parece-me útil pensar em algumas alternativas para fugir ao forte apelo do canal Panda, que dita todas as vontades dos miúdos entre os 3 e os 10 anos.

Cresci a não perceber porque é que me ofereciam tantos livros, quando o que eu queria era mesmo mais uma Barbie! Hoje fico feliz que assim tenha sido e acho que, em parte, essa foi uma das razões que me fez descobrir este amor grande às palavras. E ainda bem.

E antes que pensem “Ah e tal, olha para ela armada em intelectualóide…”, digo-vos já que também eu me rendo, com conta, peso e medida, ao inesgotável mundo do Hulk, do Pirata Jake e outros que tais, até porque eles moram na carta ao Pai Natal, que a maioria de nós pede às crianças para escrever (e agora que penso melhor nisto, este hábito da carta pode ser de uma maldade terrível para alguns…).

A minha proposta é então que, mesmo que não consigamos fugir totalmente a isto, possamos incluir na lista de presentes de Natal, outros brinquedos que não tendo sido pensados por eles, farão com certeza as suas delícias.

Ficam por isso algumas sugestões, já testadas e aprovadas pelo Manel:

  • Jogos de madeira. Podem ser comboios, casinhas de bonecas, puzzles, instrumentos musicais… São bonitos (às vezes apetece-me pô-los a decorar a sala), apelam à imaginação, deixam memórias e duram imenso tempo;
  • Jogos de tabuleiro ou outros. Cá em casa os preferidos são o mikado, o xadrez, o jenga, o dominó e um baralho de cartas. São jogos com benefícios enormes ao nível da aprendizagem, da memória, da atenção, da motricidade fina, e são ainda uma excelente forma de terminar os serões. É tempo tranquilo e tempo em família, que permite matar as saudades e ainda contribui para sonhos bons;
  • Pincéis, tintas, marcadores, blocos de papel, barro, plasticina… Tudo o que permita explorar materiais, conhecer melhor as cores, experimentar texturas, é, na minha opinião, do melhor que há para estimular a criatividade, o conhecimento e a livre expressão de emoções e sentimentos;
  • Livros. Sempre e muitos. Há, hoje em dia, livros para crianças de enorme qualidade. Desde os textos, às ilustrações, aos temas abordados… a maior dificuldade será sempre ter de escolher.

E, para terminar, uma ideia que acho muito boa: um globo terrestre, daqueles iluminados. Demos um ao Manel no Natal passado e sempre que falamos de um país novo lá vamos nós, a pedido, apontar onde o dito fica. Pode ser que seja um empurrãozinho para fazer crescer a vontade de mundo.

Assim eu gostava que fosse.

P.S – Porque é lá que vivem os brinquedos mais bonitos, porque é um projeto local, porque aposta no que é português, porque tudo é pensado e escolhido com o coração, porque elas merecem e por muitas outras razões especiais… espreitem a CASTA e façam o favor de ser por lá muito felizes. Garanto eu.

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Brinquedos sem pilhas ou o boicote
ao camião da Patrulha Pata.

O camião da Patrulha Pata precisa de pilhas e precisa dos sonhos de quase todas as crianças de quatro anos.

O camião da Patrulha Pata precisa de pilhas e precisa de pais que estejam dispostos a pagar 120 euros, por um brilho no olhar e um sorriso no rosto. Ainda que fugazes.

O camião da Patrulha Pata está esgotado em todas as superfícies comerciais do país e isto, na minha opinião, diz muito sobre aquilo que andamos a fazer.

A mim, diz-me que estamos com as prioridades trocadas. Diz-me que andamos a refletir pouco e diz-me ainda que cedemos a um apelo que é, no mínimo, desonesto. Porque se serve dos desejos deles para crescer. Porque se serve do nosso amor para vender.

Eu faço greve aos brinquedos com pilhas e faço greve aos brinquedos que custam um mês inteiro de comida na mesa. Pelas mesmíssimas razões. Pela ideia de consumo rápido e descartável que alimentam. Pela falta de autonomia e criatividade que promovem.

Se eu podia comprar o camião da Patrulha Pata? Podia. Mas não estaria a ser honesta com os princípios que defendo e com os sonhos que gostava que um dia, o Manel quisesse alcançar.

Os sonhos que apenas precisam de gente dentro e de amor no coração, para acontecer.

 

P.S – A foto que ilustra este texto é da autoria da Lília Reis, que tão carinhosamente a cedeu, para que a Lua ficasse mais bonita. Obrigada Lília.