Outra vez a saga do material escolar…

 

Lembram-se do primeiro episódio desta saga?

Pois bem, tal como prometido e graças ao contributo de várias mães experientes e cheias de truques, que foram incansáveis a partilhar dicas de utilidade máxima sobre o tema das listas de material escolar, aqui vos deixo 7 magníficas ideias para sobreviver ao que aí se avizinha:

1.Implorarás aos educadores/ professores dos teus filhos que te dêem a lista aquando da reunião do final de ano letivo. Se não fores suficientemente convincente, podes sempre suborná-los, o motivo é nobre. Ganharás tempo e encontrarás o que precisas sem ter um colapso nervoso. Os menos sagazes andarão a banhos, temos pena…o mundo é dos mais fortes. Depois de comprares tudo, ainda podes leiloar a lista na darknet. Mas só depois de estares aviada/o ok?

2. Farás um mealheiro ao longo do ano, porque o rombo é grande. Podes até vender rifas e sortear um dos rolos de papel autocolante que te sobrou do ano passado ou até o cadernão preto cheio de vincos e tão mal forrado que tiveste vergonha de o deixar sair de casa nas mãos da criança. Bastará o mote: “Pela Educação do João”, para que a coisa pegue e faça furor entre avós e tios. Com sorte, com os trocos, ainda passam o fim de semana no Alentejo.

3. Resistirás estoicamente à tentação de te arrastares atrás da mochila mais pindérica ou do estojo mais multifunções. O mundo do material escolar é um mundo pernicioso, cheio de glitters, de promessas fajutas, de artimanhas para te desviar do teu propósito. Simples e eficaz: este deve ser o teu mantra. Repete-o em voz alta, ao mesmo tempo que fazes tapping na testa. Agora sim, podes sair de casa.

4. Comprarás no comércio local. A vizinha do quiosque do bairro ou o Sr António da papelaria da esquina, anseiam por que lá passes e conheças em 1ª mão, as maravilhas que por lá moram. Simpatia, atenção personalizada, preço acessível e conselhos altamente especializados são apenas alguns dos bónus desta opção, sem esquecer o impacto do teu apoio na economia das empresas familiares. Quem sabe, ainda descobres alguma pechincha vintage…

5. Se não tiveres papelarias por perto, encomendarás tudo o que possas, online. Centras-te no que é essencial, evitas a pressão das massas, manténs o ritmo cardíaco e a integridade física e com isso, ganhas foco e lucidez. Bebe um copo de vinho tinto. E desfruta. Pré requisitos: os miúdos têm de estar a dormir.

6. Reduzirás. Reutilizarás e Reciclarás. Há imensa coisa que se pode aproveitar. Os manuais escolares são uma delas (sempre que possível), os lápis, borrachas e marcadores sobreviventes do ano passado, a mochila que mesmo que tenha um buraquinho, haverá sempre um remendo mega fashion capaz de a tornar outra vez especial. E mesmo que eles te digam que o material para funcionar tem mesmo de ser novo, não te esqueças nunca que és modelo, de consumidor(a) e de vida. Apenas às coisas que já tenham sofrido as “passinhas do algarve” e tenham sido esgotadas todas as alternativas criativas de utilização, a essas sim, poderás permitir o descanso eterno: no amarelo, no verde ou no azul.

7. Quando finalmente o ano letivo começar, reservarás uma tarde num SPA (ou noutro sítio com um efeito semelhante). Serás massajada(o), perfumada(o), relaxada(o). E a cada snifadela de incenso e borrifadela de água de rosas, farás uma respiração intensa e profunda e acarinharás em ti a seguinte constatação: Miúda(o), qualquer dia estás a dar masterclasses disto. Para o ano, não te apanham outra vez…

Nota importante: Ainda que depois destas sugestões, nenhuma grande marca de mochilas ou de marcadores fluorescentes, ou nem sequer de apara lápis de zinco, queira patrocinar este blogue, por aqui dormiremos descansados outra vez: disseminámos conhecimento e prestámos serviço público.
Caramba, é mesmo isso que nos move! 😉

Ah, e se por aí surgirem outras ideias capazes de melhorar a vida das famílias com filhos em idade escolar, venham elas. O propósito é de valor. E eu conto convosco.

A saga do material escolar: vale tudo, menos tirar olhos.

Com a entrada do Manel no ensino pré-escolar público, abriu-se-me a caixa de Pandora. Sim, porque nos últimos anos toda eu era inocência e alegria sem fim em Setembro, longe de saber a “tourada” por que passavam outros pais, com a preparação do ano letivo.

Pois bem meus amigos, já cá estou.

Tudo começou com a reunião de pais na qual foi distribuída uma lista (assim para o compridita) de material a adquirir. Aqui, aplaudo a atitude da educadora, que salientou a importância de reutilizar materiais que tivéssemos em casa e de não gastar dinheiro desnecessariamente, dando-nos também total liberdade para optar por outras marcas que não as sugeridas. Até aqui tudo bem. Identifiquei-me com a abordagem, compreendi a forma como o material seria gerido e lá fui, cheia de vontade, tratar do assunto.

Achei eu, ingénua outra vez, que podia cumprir a tarefa a qualquer hora do dia e assim, às 18:30, entrei com o pé direito numa grande superfície comercial (ou terá sido com o esquerdo? A avaliar pelo que se seguiu, é bem provável…).

Fui imediatamente engolida por um mar de gente, de braços no ar, de cócoras, de bicos de pé, à corrida… tudo o que permitisse agarrar o último exemplar do tão desejado objeto. No meio disto, as crianças, os adolescentes, os adultos saudosistas… todos, em estado de puro êxtase contemplativo, com as cores, os tamanhos, os desenhos, os cheiros… Tudo o que perniciosamente, pudesse desviar os pais do seu propósito: agarrar no dito e fugir dali!

Perante o cenário quase dantesco, foquei-me no objetivo de ir direta ao assunto e tracei um mapa mental para não me perder para sempre. Foi difícil, porque ainda por cima a coisa está organizada de forma sadicamente labiríntica, mas lá consegui identificar alguns dos materiais da lista e sair.

No dia seguinte, levantei-me confiante, fiz uns alongamentos e pensei: “Hoje já não me apanham. Vou às três da tarde, que é uma hora que ninguém desconfia.”

Wrong again.

Mas estas pessoas não trabalham? Mas será que nunca ninguém pensou fazer um manual de sobrevivência para isto? Quais os truques, as dicas, os segredos, para nos safarmos ilesos?

Depois da odisseia, que felizmente se arrumou em duas experiências sociologicamente enriquecedoras, agradeci aos céus o marido artista, que conseguiu arranjar metade das coisas no meio dos seus próprios materiais e pensei: Caramba, Setembro era o meu mês preferido, bucólico e imaculado, e agora carregará para sempre o trauma desta estreia.

Posto isto, pais com filhos em idade escolar: o meu coração está, irremediavelmente, convosco e eu proponho que façamos uns círculos xamânicos antes e depois da coisa, para que a malta se recomponha e sobreviva às sequelas seguintes.

E olhem que serão pelo menos 12. Já pensaram nisso?

P.S – Assumo aqui o compromisso de criar um manual de boas práticas sobre este assunto, mas preciso da vossa ajuda. Dicas, experiências, truques macacos… tudo é válido, pela sanidade mental de todos. Meus senhores/as, isto sim é serviço público… Venham daí esses contributos, ser-me-ão preciosos para os anos que aí vêm. Muito grata. 🙂