Sou eu nesta foto. Eu e o meu filho.
Partilho-a em modo de protesto, porque estou farta de ouvir falar das mamas das mulheres como se fossem propriedade comum. Património mundial da humanidade.
É porque dão de mamar, é porque não dão de mamar. É porque é em livre demanda, é porque é a toque de relógio. É porque as tapam, é porque as põem ao léu… Toda a minha gente sabe, melhor do que nós próprias, se havemos de guardar a mama ou se havemos de a pôr de fora. Se havemos de aproveitar a produção caseira ou se havemos de nos render ao pó da lata. Se havemos de gostar de amamentar ou se havemos de fingir que gostamos, só porque sim e porque é isso que se espera de uma boa mãe.
Amamentei até aos dois anos de vida do Manel. Senti sempre que era um privilégio quase mágico, o da possibilidade de poder alimentar o meu filho, apenas e só, com o meu corpo. Parei de o fazer, no dia em que me senti colapsar pela ressaca das noites sem dormir. Foram muitas noites. Mais precisamente, 730.
A mudança foi tranquila para os dois e absolutamente necessária. E eu decidi que era assim que tinha de ser, nesta que é a MINHA história.
Durante este tempo de mãe que amamenta, ouvi de tudo. Desde: “ele não para de chorar, o leite deve ser fraco…”, até a “um moço deste tamanho e ainda agarrado à mama…” Nunca estavam satisfeitos.
Durante este tempo de mãe que amamenta, conheci mulheres que adoraram dar de mamar e outras que odiaram fazê-lo, num esforço quase sobre humano, até ao dia em que, apoiadas numa qualquer desculpa socialmente aceite, puseram fim ao martírio.
Uma mãe não se mede pelo leite que dá. Mede-se pelo amor, mede-se pelo brilho no olhar, pelo toque quente do colo. Mede-se, também, pela coragem de ser quem é e de assumir que aquele pode não ser o seu caminho, mesmo que os outros o impinjam insistentemente.
Se o leite materno é das melhores coisas que podemos dar a um recém nascido? É. Se é uma sensação de conexão única? Para mim, foi. Se às vezes não é possível? Não é. Se às vezes não é desejado? Não é. É e será sempre, uma decisão da mulher a quem as mamas pertencem.
Estas com que nasci, não são do meu filho, não são do meu marido, não são vossas, fiéis juízes de bancada…
São minhas. E eu faço com elas o que bem me aprouver.
Nota: E porque nem só de mamas vive a discórdia, aqui fica um vídeo para ajudar a pensar sobre o que é efetivamente importante, neste caminho da parentalidade… 🙂
