Dicas para estudar…

Vocês veem-se a braços com a necessidade de melhor organizar o estudo. Nós, queremos ajudar mas às vezes a coisa não é fácil e depressa estamos a despejar conselhos do tipo: “No meu tempo…”

Quando isso acontece, vocês ouvem: “No tempo da Maria Cachucha…” E o resto é barulho de fundo.

Malta jovem, nós sabemos, já por aí andámos… mas, conflitos de geração à parte, bora pensar um pouco sobre isto de estudar?

Partindo da certeza de que quando organizamos o nosso estudo e usamos técnicas que ajudam a aprender, os resultados que obtemos melhoram e os objetivos que definimos não se perdem pelo caminho, aqui ficam algumas ideias que podem ser boas sugestões quando o tempo é de estudo:

  1. Começa a estudar cedo e planeia aquilo que vais estudar durante a semana. Podes usar um calendário em papel ou até recorrer aos calendários do Google. Nele podes anotar tudo o que pretendes fazer em cada dia. Inclui neste registo os tempos de estudo, os tempos de lazer e os tempos dedicados às atividades extracurriculares (e claro, as refeições, a escola e o tempo de dormir). Este calendário deve espelhar as tuas rotinas e deve ser flexível quanto baste: se num dia ficaste até mais tarde na gelataria com os amigos, não é o fim do mundo. Compensas no dia seguinte.

  2. Um espaço de estudo bem iluminado e bem organizado é meio caminho andado para que os momentos que lá passas sejam produtivos. Antes de qualquer sessão de estudo é importante que confirmes se tens à mão tudo o que precisas: canetas, cadernos, dicionários, manuais… Todas as vezes que te levantares quando acabaste de te sentar, vão ser vezes em que a tua concentração se vai quebrar e tu vais ter de começar tudo outra vez.

  3. Evita as distrações. O telemóvel e a televisão não são bons companheiros de estudo, por isso dá uma vista de olhos no facebook e nas mensagens antes de começar a estudar e depois desliga tudo o que é tecnologia tentadora. Chato eu sei, mas muito, muito importante.

  4. Usa marcadores fluorescentes para sublinhar os tópicos e as ideias-chave a destacar e post-it para agrupar a informação mais relevante. Estes pequenos truques ajudam a memorizar a matéria com mais facilidade e rapidez.

  5. Se ouvir música te ajuda a concentrares-te melhor, podes fazê-lo mas mantém o volume baixo e tenta que a playlist que escolhes não seja a que mais te entusiasma. A ideia é evitar que desates a dançar e a cantar durante a sessão de estudo.

  6. Transforma a informação que estás trabalhar e coloca-a em palavras tuas. Pode ser um resumo ou um esquema, ou até “dar uma aula” em voz alta. Estes exercícios obrigam-te a perceber se consegues explicar aquilo que acabaste de estudar.

  7. A alimentação e o sono são muito importantes para manter o nosso cérebro disponível para aprender. Dormir bem e pelo menos 7 horas por noite e comer alimentos como as nozes, as maças, os cereais integrais, os frutos vermelhos, o peixe, os ovos e o chocolate preto, ajuda a melhorar a concentração e a estimular as nossas capacidades.

  8. Orgulha-te das tuas conquistas e dos teus erros também. Quando as coisas correm menos bem, importa pensar que estratégias podemos melhorar para ultrapassar as dificuldades. Pode ser o método de estudo, pode ser melhorar os apontamentos nas aulas e até esclarecer todas as dúvidas com o/a professor/a antes dos testes. Lembra-te: uma nota baixa num teste não significa um “Nunca”, mas sim um ”Ainda não”.

E para terminar, porque tu és a pessoa mais importante nesta história, CUIDA DE TI!

Sempre que terminares um período de testes ou uma semana mais desafiante, tira uma tarde para fazeres algo que gostes: pode ser uma saída com um grupo de amigos, pode ser uma ida ao cinema, podem ser umas horas no sofá a ouvir música ou uma maratona da tua série preferida.

Tudo o que te permita fazer uma pausa e quebrar a rotina vai ser importante para ganhar a força que precisas para atingir todos os teus objetivos, para chegar a todos os sonhos. Na escola e na vida.

Bora?

A vida dos outros.

A vida dos outros interessa-me. Ou melhor, a vida dos miúdos com quem trabalho, interessa-me.

Interessa-me porque acredito que não é possível ajudar alguém que não vai bem na escola e nos outros contextos, sem primeiro entender como vai em casa, ou como vai por dentro.

Interessa-me porque tudo aquilo que somos, ou antes, tudo aquilo que mostramos aos outros, é resultado das nossas vivências, reflexo de tudo o que trazemos na “mochila” que colocamos às costas todos os dias.

E há “mochilas” tão pesadas que eu às vezes dou por mim a conter a vontade de chorar, quando ouço as histórias que nelas se carrega.

São histórias de perda, de abandono, de desilusão. São histórias mal explicadas e outras com detalhe a mais. São miúdos que aos 5 viram a mãe sair de casa para só voltar a entrar três anos depois, levar a irmã mais nova e desaparecer outra vez. São miúdos que aos 9 entendem como seu, o dever de proteger a mãe de um pai que grita, que bate e que se embebeda todas as noites. São miúdas que aos 15 se prostituem na rua com a irmã no banco ao lado e a mãe na curva seguinte. São histórias de vidas difíceis que a maioria de nós, felizmente, nunca imaginaria existirem.

São as vidas dos outros, que têm idade para só pensar em sonhos e guardar no coração a fé no mundo e nas pessoas mas que, em vez disso, se preocupam em saber de cor o melhor esconderijo quando os gritos tomam conta de tudo, que gostavam que alguém lhes dissesse a que lugar pertencem e que adormecem a acreditar que é amanhã que as promessas feitas se cumprem e trazem com elas a esperança de que tudo mude.

O comportamento de uma criança ou de um adolescente é sempre sintoma da sua vida psíquica, das suas experiências, da forma como tomaram conta de si.

Ora quando o seu crescimento é marcado por uma vinculação insegura, por momentos de trauma, ausência ou negligência, estará inevitavelmente comprometida a sua capacidade de se ligar aos outros e de lidar com os desafios da vida, nos quais a escola e a aprendizagem se incluem. Capacidade esta, só reparável com o amor das relações que quebram o ciclo, que ajudam a colar os pedaços e a fazer acreditar. Outra vez.

Por tudo isto e porque o sítio onde se nasce continuará a ser sempre uma questão de sorte, não nos limitemos a julgar, a repreender, a criticar, a enquadrar um determinado comportamento naquelas que são as nossas vivências, naquele que é o nosso quadro de valores. Há quem esteja dele muito distante e apenas precise de alguém que saiba olhar e esteja disponível para entender.

Às vezes, aquilo que eu faço é aquilo que me é possível fazer naquele momento e isso não resume tudo aquilo que eu sou. Tudo aquilo o que eu trago cá dentro.

Assim é connosco. Assim será com eles.

Aprender a estudar.

Chamamos-lhes estudantes mas a maioria dos alunos não sabe estudar, o que até é perfeitamente compreensível uma vez que tal, nunca lhes foi ensinado. Estranhamente, porque todos vão ter de o fazer durante, pelo menos, uma década de vida.

E se até ao 3º ciclo as coisas correm mais ou menos tranquilas e basta agarrar nos livros um ou dois dias antes do teste, o ingresso no ensino secundário traz consigo novos desafios para os quais é importante que eles estejam preparados. E nós também.

Aprende-se a estudar estudando mas existem algumas premissas que já aqui foram abordadas e que podem fazer a diferença. A ideia é que a tarefa se torne mais fácil e o hábito se desenvolva, de uma forma positiva e autónoma, sem que miúdos e pais tenham de ficar à beira de um ataque de nervos, sempre que um teste se aproxima. Para além disso, pode ser útil pensar sobre questões como a rotina de estudo e as metodologias mais eficazes quando o objetivo é estudar e, sobretudo, estudar bem:

O ambiente. Todos sabemos que quando estamos num local onde nos sentimos bem, somos capazes de produzir mais e com maior qualidade. Assim é em relação ao local de estudo. O espaço onde se dedicam a aprender deve ser um espaço calmo, organizado, agradável no que se refere à temperatura e à luminosidade e adequado do ponto de vista da ergonomia – cadeira e secretária que permitam uma boa postura corporal. Muitas vezes noto que o hábito é andar a saltitar pela casa. Ora estudam na sala, ora na cozinha, ora no quarto, o que pode não ser muito favorável à sensação de tranquilidade e de organização, aqui são tão necessárias.

A regularidade. A ideia é evitar o estudo intensivo na véspera dos testes, que deve ser um dia dedicado apenas à revisão dos conteúdos que foram sendo trabalhados atempadamente. Sem stress. Isto implica que regularmente se dedique algum tempo a pensar nos conteúdos que foram aprendidos, o que, para além de permitir consolidar a informação recebida, permite também a percepção de eventuais dúvidas, que deverão ser esclarecidas com o professor nas aulas seguintes. Para além disso, em cada sessão de estudo e como forma de manter a motivação, é importante alternar as disciplinas preferidas com aquelas em que se sente mais dificuldade, a par da realização de pausas de 15 minutos por cada 45 minutos de trabalho.

As técnicas. Diferentes disciplinas requerem diferentes estratégias, mas conhecer algumas pode ser fundamental para obter melhores resultados. Para começar, é importante aprender a destacar as ideias principais ou as palavras-chave, de um determinado texto. Sublinhar, com recurso a marcadores coloridos, fazer anotações adicionais, ajuda a integrar a informação, de forma a que sejamos capazes de a compreender. Depois, pode ser importante fazer um resumo ou esquema da matéria trabalhada, já que isso nos obriga a ser capazes de a explicar por outras palavras, o que por si só, ajuda à sua consolidação. Também a resolução de exercícios é uma forma de testar os conhecimentos adquiridos e de perceber os pontos que é ainda necessário rever. Ainda neste contexto, uma estratégia que costuma ter bons resultados é pedir-lhes que nos “dêem uma aula” acerca daquilo que aprenderam. De facto, a aprendizagem torna-se mais efetiva, sempre que temos de ensinar a alguém um determinado assunto e por isso, nada melhor do que estarmos disponíveis a aprender com eles.

Finalmente, e porque se sabe que é preciso tempo e treino até que se “entranhe” uma rotina de estudo produtiva, autónoma e personalizada, é fundamental valorizar e congratular os nossos filhos/ alunos pelo esforço despendido, mais do que pelo resultado alcançado. Só assim contribuiremos para que se sintam motivados, na consciência poderosa de que têm em si, a capacidade de chegar a todo o lado, sempre que assim o decidam.

Vida de escola

Nos corredores da escola já todos caminham com maior segurança. Professores e alunos conhecem-se melhor, os horários e as salas já estão na cabeça e o corpo habituou-se às novas rotinas. É momento pois, de agitar as hostes e começar um período temido por muitos: o dos primeiros testes de avaliação.

Conheço de perto o stress que os testes provocam nos alunos, o medo da avaliação, a competitividade entre colegas…

Percebo-os, porque acho que continuamos a atribuir um peso demasiado elevado a estes “termómetros do conhecimento” que, muitas vezes, instigam ao empinanço e posterior cuspidela, dos conteúdos de uma determinada matéria prevista no currículo.

Percebo-os, porque continuamos a achar que a honra de um aluno se mede pelas notas no final do ano e a insistir em premiá-lo pelo resultado, e não pelo processo.

Esta é a escola que ainda temos e pese embora a necessidade de mudança, não deixa de ser necessário que tenhamos a capacidade de nos adaptar àquelas que são as suas exigências. E nesta adaptação, à família destina-se também uma espécie de papel principal.

É em casa que os adolescentes podem chorar frustrações, é em casa que podem assumir o medo de não estar à altura, é em casa que podem “explodir”, na certeza de que, quem os rodeia, não vai desatar a fugir. Estes, representam um dos grandes desafios de se ser família, mas são também algumas das suas maiores virtudes.

Aprender a estudar constitui uma importante estratégia para lidar com o stress perante a escola, contribuindo para que as notas melhorem e os estudantes se sintam mais confiantes perante situações de avaliação. Neste caminho, aos pais, pode ser importante:

Compreender as dificuldades por que passam e aceitar a importância que lhes atribuem. Podem existir mil e uma razões que explicam uma maior resistência ao estudo: medo de falhar, dificuldade numa determinada matéria ou a necessidade de maior apoio.

Aceitar que lhes seja difícil chegar a casa depois de um dia inteiro de escola e ainda ter de fazer trabalhos de casa ou revisões da matéria (basta pensares em ti e naquilo que te apeteceria realmente ao final do dia…). Aqui pode ser útil relaxar um pouco para depois ajudar a começar, definir objetivos diários, claros e atingíveis tendo em conta as tarefas a desempenhar.

Ajustar expectativas. Muitas vezes, sem intenção, colocamos padrões demasiado altos aos nossos filhos, que os constringem e aumentam a pressão. É de longe mais importante valorizar o esforço e a dedicação a uma determinada tarefa, do que o resultado que dela advém.

E por fim, mas igualmente fundamental: ser flexível. Manter uma rotina de estudo é importante, quebrá-la de vez em quando, também. Uma vez por semana façam alguma coisa de que gostem, em família. Ir ao cinema, fazer uma caminhada ao final do dia, comer um gelado, ou até, “não fazer nenhum”.

Aquilo que vos faça sentir bem, dar-vos-á também a força para continuar a fazer face aos desafios e receber as conquistas que a escola da vida ou a vida na escola nos trazem, todos os dias.

 

 

Regresso ao Futuro. Parte I.

Amanhã é dia.

Dia de recomeçar, de acreditar, de querer fazer melhor. É pelo menos isso que me lembro dos meus setembros de estudante e embora o meu filho ainda não tenha chegado aos dias de “escola à séria”, acompanho de perto os anseios e as dúvidas de quem, com os filhos, inicia agora mais um ano escolar.

Por saber disso, e por saber também quão importante é começar com um salto a dois pés, esta caminhada que se quer feliz, partilho convosco algumas ideias que me parecem úteis neste regresso:

Atitude positiva. O optimismo aprende-se, e se em casa o retorno à escola for vivido com alegria e entusiasmo, isso é meio caminho andado para que a adaptação à nova rotina se faça sem grandes dramas. E isto significa também, não reclamar muito com o regresso ao trabalho. Sim, eu sei, lá no fundo precisávamos de mais 3 meses (até porque sabiam bem umas férias das férias), mas eles não precisam de saber isso…

Organização. Uma das questões que mais nos aflige, com a ideia de voltar à rotina, é a falta de tempo para tudo. É o despertador, é a correria da manhã, são as atividades extracurriculares, os trabalhos de casa… enfim, haja estaleca! Tenho aprendido que um dos segredos para manhãs e finais de dia mais tranquilos é a organização. Preparar mochilas e lanches na escola para os mais pequenos, organizar com os mais velhos o horário da semana, que inclua tempos de estudo, tempos de lazer e tempo em família, escolher a roupa que queremos vestir no dia seguinte e até deixar a mesa do pequeno almoço pronta, são pequenos truques que nos pouparão diariamente a alguns minutos de modo “à beira de um ataque de nervos”. E só por isso, vale muito a pena.

Serões tranquilos. Façam dos momentos a seguir ao jantar, uma espécie de elixir de paz, que vos ajude a terminar o dia em família, com a tranquilidade necessária para uma noite retemperadora, como todas as noites devem ser. E isto pode facilmente conseguir-se com uma boa conversa, um jogo de tabuleiro ou uma história. E claro, sem televisão.

Adaptação gradual. Aceitem a ideia de que a coisa não vai encarrilar logo na primeira semana de aulas. Eles, e vocês, precisam de tempo para fazer face ao “síndrome pós férias” e permitir que se estranhem, antes de se entranhar, as novas rotinas. Para além disso, podem aproveitar esta altura inicial, em que os dias ainda se fazem compridos e na escola as atividades se organizam, para aproveitar alguns momentos de praia, uma ida ao parque ou ao cinema. Miminhos, que ajudam ao suave despertar para os compromissos escolares e laborais.

Amanhã é dia. De sermos felizes.