Vida de escola

Nos corredores da escola já todos caminham com maior segurança. Professores e alunos conhecem-se melhor, os horários e as salas já estão na cabeça e o corpo habituou-se às novas rotinas. É momento pois, de agitar as hostes e começar um período temido por muitos: o dos primeiros testes de avaliação.

Conheço de perto o stress que os testes provocam nos alunos, o medo da avaliação, a competitividade entre colegas…

Percebo-os, porque acho que continuamos a atribuir um peso demasiado elevado a estes “termómetros do conhecimento” que, muitas vezes, instigam ao empinanço e posterior cuspidela, dos conteúdos de uma determinada matéria prevista no currículo.

Percebo-os, porque continuamos a achar que a honra de um aluno se mede pelas notas no final do ano e a insistir em premiá-lo pelo resultado, e não pelo processo.

Esta é a escola que ainda temos e pese embora a necessidade de mudança, não deixa de ser necessário que tenhamos a capacidade de nos adaptar àquelas que são as suas exigências. E nesta adaptação, à família destina-se também uma espécie de papel principal.

É em casa que os adolescentes podem chorar frustrações, é em casa que podem assumir o medo de não estar à altura, é em casa que podem “explodir”, na certeza de que, quem os rodeia, não vai desatar a fugir. Estes, representam um dos grandes desafios de se ser família, mas são também algumas das suas maiores virtudes.

Aprender a estudar constitui uma importante estratégia para lidar com o stress perante a escola, contribuindo para que as notas melhorem e os estudantes se sintam mais confiantes perante situações de avaliação. Neste caminho, aos pais, pode ser importante:

Compreender as dificuldades por que passam e aceitar a importância que lhes atribuem. Podem existir mil e uma razões que explicam uma maior resistência ao estudo: medo de falhar, dificuldade numa determinada matéria ou a necessidade de maior apoio.

Aceitar que lhes seja difícil chegar a casa depois de um dia inteiro de escola e ainda ter de fazer trabalhos de casa ou revisões da matéria (basta pensares em ti e naquilo que te apeteceria realmente ao final do dia…). Aqui pode ser útil relaxar um pouco para depois ajudar a começar, definir objetivos diários, claros e atingíveis tendo em conta as tarefas a desempenhar.

Ajustar expectativas. Muitas vezes, sem intenção, colocamos padrões demasiado altos aos nossos filhos, que os constringem e aumentam a pressão. É de longe mais importante valorizar o esforço e a dedicação a uma determinada tarefa, do que o resultado que dela advém.

E por fim, mas igualmente fundamental: ser flexível. Manter uma rotina de estudo é importante, quebrá-la de vez em quando, também. Uma vez por semana façam alguma coisa de que gostem, em família. Ir ao cinema, fazer uma caminhada ao final do dia, comer um gelado, ou até, “não fazer nenhum”.

Aquilo que vos faça sentir bem, dar-vos-á também a força para continuar a fazer face aos desafios e receber as conquistas que a escola da vida ou a vida na escola nos trazem, todos os dias.

 

 

Regresso ao Futuro. Parte I.

Amanhã é dia.

Dia de recomeçar, de acreditar, de querer fazer melhor. É pelo menos isso que me lembro dos meus setembros de estudante e embora o meu filho ainda não tenha chegado aos dias de “escola à séria”, acompanho de perto os anseios e as dúvidas de quem, com os filhos, inicia agora mais um ano escolar.

Por saber disso, e por saber também quão importante é começar com um salto a dois pés, esta caminhada que se quer feliz, partilho convosco algumas ideias que me parecem úteis neste regresso:

Atitude positiva. O optimismo aprende-se, e se em casa o retorno à escola for vivido com alegria e entusiasmo, isso é meio caminho andado para que a adaptação à nova rotina se faça sem grandes dramas. E isto significa também, não reclamar muito com o regresso ao trabalho. Sim, eu sei, lá no fundo precisávamos de mais 3 meses (até porque sabiam bem umas férias das férias), mas eles não precisam de saber isso…

Organização. Uma das questões que mais nos aflige, com a ideia de voltar à rotina, é a falta de tempo para tudo. É o despertador, é a correria da manhã, são as atividades extracurriculares, os trabalhos de casa… enfim, haja estaleca! Tenho aprendido que um dos segredos para manhãs e finais de dia mais tranquilos é a organização. Preparar mochilas e lanches na escola para os mais pequenos, organizar com os mais velhos o horário da semana, que inclua tempos de estudo, tempos de lazer e tempo em família, escolher a roupa que queremos vestir no dia seguinte e até deixar a mesa do pequeno almoço pronta, são pequenos truques que nos pouparão diariamente a alguns minutos de modo “à beira de um ataque de nervos”. E só por isso, vale muito a pena.

Serões tranquilos. Façam dos momentos a seguir ao jantar, uma espécie de elixir de paz, que vos ajude a terminar o dia em família, com a tranquilidade necessária para uma noite retemperadora, como todas as noites devem ser. E isto pode facilmente conseguir-se com uma boa conversa, um jogo de tabuleiro ou uma história. E claro, sem televisão.

Adaptação gradual. Aceitem a ideia de que a coisa não vai encarrilar logo na primeira semana de aulas. Eles, e vocês, precisam de tempo para fazer face ao “síndrome pós férias” e permitir que se estranhem, antes de se entranhar, as novas rotinas. Para além disso, podem aproveitar esta altura inicial, em que os dias ainda se fazem compridos e na escola as atividades se organizam, para aproveitar alguns momentos de praia, uma ida ao parque ou ao cinema. Miminhos, que ajudam ao suave despertar para os compromissos escolares e laborais.

Amanhã é dia. De sermos felizes.