A elas e a eles, que educam os filhos dos outros.

Há mulheres que trazem os filhos dos outros no coração.

Que lhes dão colo e mimo e espaço para crescer. Que aprendem a lê-los por dentro, a cada sorriso tímido ou a cada hesitação no olhar. Que ensinam a paixão pelas histórias, a curiosidade pela natureza e lhes alimentam a fome de mundo e de saber.

Há mulheres que trazem os filhos dos outros no coração. Que dão tudo de si, todos os dias, para que o brilho se mantenha a dançar nos olhos pequeninos e atentos e a vontade de aprender seja sempre acha de fogueira, e de calor.

Há mulheres que trazem os filhos dos outros no coração. Que escondem a tristeza dos dias tristes num sorriso doce que entregam de bandeja, a quem dele precisa para acreditar que a vida é, quase sempre, bonita de viver. Que partilham a alegria das ideias novas e dos projetos que sonharam na noite anterior, para os fazer crescer no dia seguinte, no chão da sala, entre papel de seda e de cenário, no meio dos lápis de carvão e das aguarelas, em que o único guia é a desafinação feliz das vozes que riem e gritam e se entusiasmam a cada descoberta feita.

Às mulheres e aos homens que escolheram para a caminhada, a bonita tarefa de educar os filhos dos outros, a minha gratidão eterna. Por quem são, pela forma como o são e sobretudo por se darem todos os dias, inteiros, àqueles por quem temos um amor sem fim.

Tenho cá para mim que foi a vida que vos escolheu a vocês, porque sabe da grandeza da tarefa e da importância de se tornar eterno no coração das nossas (vossas) crianças, ensinando-as a fazer do crescimento, a mais bela das histórias de aventura.