O mito dos bons pais.

Ontem deitei-me outra vez a lamentar-me das vezes em que podia ter sido melhor mãe. Revivi as cenas, uma por uma, pensei-lhes outros cenários e cheguei a imaginar-me outra, capaz de ter dado ao meu filho a resposta feliz e atenta de que era tão merecedor. Ontem deitei-me outra vez agarrada à ideia que eu própria construí daquilo que é ser-se boa mãe. E hoje de manhã ele voltou a saber olhar-me e sussurrou-me ao ouvido: “Gosto tanto de ti mamã…”

É por isso por nós (e sobretudo por eles) que hoje proponho “despir” os bons pais de todas as boas intenções. Essas, que sorrateiramente nos vão atrapalhando o caminho… 😉

Os bons pais já nascem ensinados.

Quando um filho nos nasce, nasce-nos pela primeira vez e é com ele que (re)nascemos também. Não só como pais ou como mães, mas também como pessoas. E ainda que outros já nos tenham nascido ou que outros se lhes sigam, cuidar de um filho (daquele filho) será sempre uma experiência única, que exigirá de nós a humildade da certeza de que muito está ainda por aprender, por melhorar, e por construir. Não esquecendo nunca que cada um de nós o fará de uma forma muito própria, à luz das coisas que nos façam bater o coração e dos desafios e aprendizagens que cada filho nos exija.

Os bons pais sabem sempre o que fazer.

A parentalidade é um caminho cheio de curvas, de socalcos, de bancos para recuperar o fôlego, de vias rápidas e de atalhos desconhecidos, que por vezes nos desconcertam e em tantas outras nos permitem maior segurança. A parentalidade é tudo isto mas não é, nunca, algo que se aprenda nos manuais de procedimentos à boa maneira das viagens de aviões: “Ora agora coloque o colete de salva-vidas. Ora agora insufle-o. Ora agora respire a partir da máscara de oxigénio…” Bom seria. Ou talvez não… A parentalidade é uma aprendizagem constante, sem respostas certeiras e em que os aprendizes (pais e filhos) são os atores principais e criativos argumentatistas, capazes de dar luz e cor e emoção ao guião, construído (e reconstruído) vezes sem conta, a cada passo dado.

Os bons pais não sentem culpa.

Sentem pois. E arrependem-se. E martirizam-se. E sofrem, sobretudo com o peso duro das expectativas dos outros. É a culpa de não terem agido assim ou assado, é a culpa de terem perdido a cabeça, é a culpa de não passarem tempo suficiente com os filhos, é a culpa de não terem percebido mais cedo que alguma coisa estava a acontecer na escola, é a culpa de terem sono, de comerem chocolates às escondidas, de estarem de folga e deixarem o filho na escola apenas e só porque querem ter um dia de crescidos… A culpa, a maldita da culpa, que rouba tempo e exige, insaciável, a perfeição sem fim. A culpa não é boa aliada dos pais, mas existe, chateia e é preciso falar sobre ela e sacudi-la dos ombros com energia e vontade. Só assim lhe retiramos a força e ganhamos espaço para ser pais e, sobretudo, humanos.

Os bons pais sabem sempre o que os filhos precisam.

As crianças não trazem manuais de instruções e ainda que às vezes algumas dicas práticas nos deem um jeitaço e nos ajudem a pensar em formas alternativas de resolver as situações/dilemas com os quais nos vamos deparando, isso não quer dizer que funcionem sempre. Para se saber o que uma criança precisa, é preciso, tantas vezes, desaprender tudo o que pensámos ou ouvimos, ou ainda tudo aquilo que nos disseram e experimentar outros caminhos, ainda que audazes ou pouco testados. Para se saber o que uma criança precisa é preciso sobretudo aprender a ouvi-la, olhá-la nos olhos e tocar-lhe no coração, deixando que o nosso se abra, e sinta também.

Os bons pais não mimam demais os filhos.

A experiência amorosa familiar é o primeiro contacto da criança com o maravilhoso mundo dos afetos. É ela que lhe permitirá amar os outros e ganhar coragem para se lançar em pleno voo, sempre que a vida assim apele. É também ela que permite entender a Casa (lugar no coração dos pais) como porto seguro, onde pode mostrar-se sem filtro e sem disfarce, a quem tem por ele um amor sem fim, capaz de resistir a todos os lados lunares. Os pais podem (e devem!) mimar muito os filhos e não é por isso que deixarão de balizar aqueles que são os seus comportamentos e de ensinar, com a doçura e a paciência necessárias, as coisas mais importantes, para que se tornem gente a saber mimar os outros.

Os bons pais satisfazem sempre primeiro as necessidades dos filhos.

Voltando à analogia das instruções de segurança dos aviões, há uma razão pela qual a tripulação sugere que o colete salva-vidas seja colocado primeiro ao adulto e só depois à criança: para cuidarmos do outro, é preciso que estejamos cuidados. A parentalidade está carregada de desafios, muitos deles capazes de alterar o padrão de satisfação de necessidades básicas como as do sono ou da alimentação adequada, ou a prioridade dada às necessidades sociais ou amorosas. Em nome dos filhos, os pais anulam-se vezes demais e acabam por deixar para depois atividades ou experiências, capazes de lhes proporcionar bem estar e satisfação pessoal, premissas fundamentais para ensinar os filhos a quererem, um dia, cuidar-se também.

Os bons pais gostam sempre de ser pais.

Existem mulheres e homens que preferiam não ter sido pais. Existem mulheres e homens que não gostam de ser pais, mas isso não significa que não gostem dos filhos. Significa apenas que, por variadíssimas razões, tiveram de assumir um papel com o qual não se identificam, que sentem que tiveram de fazer mudanças que não desejaram e que não era assim que gostavam que tivesse sido. Não há com estes pais nenhum problema, a não ser o de terem todos os dedos apontados, de lhes gritarem aos ouvidos que não prestam e de quererem salvá-los, constantemente, do sacrilégio em que não vivem. Existem pais que não amam de paixão sê-lo, mas que ainda assim, sabem amar como ninguém os filhos que os tornaram em tal.

Os bons pais não erram.

Os bons pais erram a vida inteira. Tal como as boas pessoas fazem, só por serem pessoas. O que os bons pais trazem dentro de si (que é o que lhes permite serem verdadeiramente bons), é a capacidade de olhar para os tropeços e enganos como parte desejável da caminhada e deixar que a consciência e a aceitação os transformem para sempre e permitam reparar, com pó de ouro e de amor, cada “lasquinha” acontecida.

Os bons pais não existem. Existo eu, existes tu… e se o somos é porque um dia alguém nos olhou como ninguém e nos viu como os melhores do mundo. Imperfeitos e insubstituíveis. Até ao fim dos tempos…

As pessoas crescidas.

Passo a vida a deliciar-me com a beleza das palavras dos outros e a espantar-me com as coisas grandes que me ensinam e que, ainda que complicadas, se tornam simples, pela forma sentida como alguém as soube contar.

Hoje, voltei a reencontrar um livro de que gosto muito e aproximei-me outra vez das pessoas pequeninas (crescidas por dentro, mas não em tamanho) e de tudo o que tão sabiamente lêem na alma das pessoas adultas:

“As pessoas crescidas fui-as conhecendo de baixo para cima à medida que a minha idade ia subindo em centímetros, marcados na parede pelo lápis da minha mãe… Já capaz pelo meu tamanho de lhes olhar a cara, o que mais me surpreendia nelas era a sua estranha indiferença perante as duas únicas coisas verdadeiramente importantes no mundo: os bichos de seda e os guarda-chuvas de chocolate. Nunca percebi quando se deixa de ser pequeno para se passar a ser crescido. Provavelmente quando substituímos os guarda-chuvas de chocolate por bifes tártaro. Provavelmente quando começamos a gostar de tomar duche. Provavelmente quando cessamos de ter medo do escuro. Provavelmente quando nos tornamos tristes. Mas não tenho a certeza… não sei se sou crescido.” 

E assim, na história reencontrada no Livro de Crónicas do fabuloso António Lobo Antunes, voltei a pensar que também eu não sei se sou crescida.

Se calhar sou, nas contas que pago, nos horários que cumpro, na tristeza que já trago no olhar, na frustração que me assalta nas vezes em que sinto que já não me maravilho como antes, na fartura da rotina, no desejo constante de não me desviar do que é verdadeiramente importante na vida…

Se calhar sou. Vezes demais.

Mas depois ele vem, saltita à minha volta, tira-me tudo do lugar, chama-me vezes sem conta: “Oh mãe, anda cá ver isto!, desenha naves espaciais capazes de sair do papel e levar-nos aos dois até à lua, dá gargalhadas sonoras, transforma-me o chão da sala numa cidade para super-heróis, recorta máscaras de homem peixe, com barbatanas e tudo e vem tirar-me a mão do teclado para me dizer: “Vá, anda daí, está na hora de jogarmos às escondidas.”

E é nestes momentos que eu volto a sentir que afinal talvez ainda não seja assim tão crescida e prometo a mim mesma que na próxima ida ao supermercado vou trazer dois guarda-chuvas de chocolate que comeremos juntos, no meio das almofadas que todos os dias atiras para o tapete.

Afinal, de bifes tártaro está o inferno cheio.

P.S – Se tal como eu te encantaste com as palavras de Lobo Antunes, podes ler este e outros textos aqui.

Ele cresceu a brincar com a terra e com os bichos.

Ele está no 10º ano. É um aluno extraordinário. Não pelas notas (que são excelentes), mas pela sede que tem de aprender. Ninguém fez escolhas por ele, ninguém o pressionou com resultados. Ninguém lhe impingiu sonhos. O seu, é ser cientista. Encomenda pipetas pela internet, devora livros de biologia e surpreende-se, como se fosse a primeira vez, a cada descoberta feita. E não, não é miúdo esquisito. Tem amigos, faz amigos e traz meiguice na voz e nos gestos e na forma como se dá aos outros.

A mãe, com a humildade de quem está distante da enormidade do ser que ajudou a crescer, diz-me: “Eu não sei onde é que ele foi buscar estas coisas… cresceu sempre aqui, connosco, a brincar com a terra e com os bichos…”

Eu sorrio, e levo no coração mais uma grande lição: As coisas mais simples da vida são sempre as mais poderosas. O amor dos nossos, a curiosidade no olhar, a liberdade no pensamento. E a natureza. Sempre a natureza.

O que eles precisam de ti…

“Não vale a pena. Na maior parte das vezes, ninguém lá em casa se interessa pela minha opinião ou sequer conhece as coisas que me preocupam. Simplesmente, já me habituei.”

Ela chama-se Joana. Tem 15 anos. Tem uma família que a ama. Sabe disso. Mas às vezes, sabê-lo não é suficiente, mesmo que nos digam que assim é. Às vezes (muitas vezes), é preciso sentir. É preciso que aqueles de quem mais gostamos, parem a rotina dos dias, nos olhem nos olhos e perguntem: “Como estás?” E depois sejam capazes de esperar pela resposta, e ouvi-la. Com o corpo todo.

A história da Joana, que se assemelha às histórias de muitos outros miúdos que conheço, faz-me pensar sobre aquilo que os nossos filhos podem precisar de nós, sobretudo quando entram na adolescência e lidam com um sem fim de mudanças, às vezes tão difíceis de integrar. Profundamente crente que a consciência que temos, enquanto pais e mães, destas necessidades pode ter um impacto importante na relação que com eles construímos todos os dias, melhorando-a, arrisco-me a propor que pensemos naquilo que os filhos adolescentes precisam de nós:

Precisam dos nossos limites. Poder-se-ia pensar que o que mais desejariam no mundo seria andar por sua conta e risco, sem horários, nem justificações. Nada disso (e são eles que o dizem!). Não existe sensação de maior segurança afetiva do que a de saber que existe alguém que se preocupa, que espera por nós, que se zanga quando pisamos a linha para além do aceitável. Faz-nos sentir amados. Estabelecer as regras da família, que incluem os horários de regresso, as tarefas em casa, mas também o respeito e a clareza dos diferentes papéis familiares, e acordar consequências para o não cumprimento do que foi definido, é fundamental para que se sintam mais seguros. De quem são e do que esperam de si.

Precisam que os libertemos. Embora às vezes surja alguma confusão em relação a este assunto, permitir-lhes mais liberdade nada tem a ver com a ausência de limites. Tem a ver com deixá-los experimentar coisas novas, ser autónomos, conquistar responsabilidades, fazer amigos… É assim que conhecem o mundo e se preparam para se tornarem adultos.

Precisam que os saibamos ouvir. Eles precisam de falar. Uns fazem-nos com mais facilidade e com mais pormenor do que outros, mas fazem-no, sempre que lhes é dada oportunidade ou quando sentem que é o momento. Ouvir até ao fim, sem a pretensão de acharmos que já sabemos o que vai sair dali (mesmo que em 99% das vezes seja verdade…). Ouvir sem criticar e sem fazer piadas irónicas. Ouvir, tentando imaginar o que sentem. E sempre, entender os silêncios e não desistir.

Precisam dos nossos mimos. É natural enchê-los de beijos e de festas quando são pequeninos e fofos. À medida que crescem, podemos facilmente perder o hábito do toque. Ou porque eles rejeitam, ou porque nos sentimos sem jeito. É normal que não queiram andar a receber beijos constantes da mãe ou do pai (sobretudo se há amigos por perto), mas saber-lhes-á muito bem receber um beijo ou um abraço apertado de bons dias, ou uma festa na cabeça quando passamos por perto. O toque é importante e deve manter-se como forma de comunicação, ainda que com o devido enquadramento que esta fase de vida geralmente exige.

Precisam que os queiramos conhecer. Sim, nós conhecemo-los melhor do que ninguém, mas eles continuam a mudar todos os dias. Saber mais sobre a música que ouvem, a pessoa de quem gostam, as dificuldades que têm na escola ou os projetos de vida, dá-nos muito tema de conversa e fá-los sentir que somos capazes de nos descentrar de nós e daquilo a que estamos habituados, e aprender.

E porque esta reflexão já vai longa, talvez porque enorme é o desafio de ajudar um filho a crescer, há uma coisa que eles precisarão sempre, por mais anos que passem: Precisam que acreditemos, sem nunca desistir da pessoa que são.

A vida às vezes não é fácil e a adolescência não o é com toda a certeza (lembras-te?). É não sabermos bem quem somos e absorvermos tudo o que dizem de nós. É arriscar o que nunca se fez e, quando dá para o torto, achar que é o fim o mundo. É um sem fim de coisas novas a acontecer que constantemente desafiam e ameaçam a pessoa que queremos ser. E claro, no meio de todo este turbilhão de emoções e de incertezas, é preciso alguém que acredite, que insista e que diga: “Vai em frente!”. Todos os dias.

É pela importância disto que as bancadas da primeira fila estão reservadas às mães, aos pais, aos avós… É por causa disto que eles as procuram com os olhos e sorriem por dentro, sempre que as encontram cheias.

(Pel)A liberdade que te devo.

De todas as tuas fotografias, esta é uma das minhas preferidas.

Quando te escuto nela, ouço liberdade, serenidade e alegria sem fim, ouço vontade de abraçar o mundo e confiança em quem és e em tudo o que serás ainda capaz de ser. E vejo-te enorme por dentro, bem maior do que a idade que tens, o que me faz alimentar o sonho de que assim te mantenhas, por muito que ainda tenhas de crescer.

De todos os teus ângulos, este é aquele que mais me tem permitido aprender, aquele que me faz voltar ao princípio da história todos os dias, na certeza de que em todos eles as palavras serão outras, iluminadas pela doce transformação, que te acontece na alma, a cada instante de vida.

De todos os teus ângulos, este é aquele que mais me desconcerta e que tantas vezes me faz temer o caminho, não pelo que ele nos traga, mas pelo medo de não estar à altura do desafio de ser a mãe que tu mereces ter.

E é por isso que todos os dias, eu torno consciente esta missão e destapo em mim a lucidez, que me ensina a aceitar-te como és e me permite sobreviver à frustração, das vezes em que ages de forma diferente da que imaginei.

É assim que cresço. É assim que tu podes crescer.

Se há seis anos me perguntassem quais seriam as minhas intenções enquanto mãe, provavelmente falaria na educação para a liberdade, porque afinal sempre foi esta a minha bandeira de vida, na relação comigo mesma, nos amores, nos amigos… E ainda assim, foste tu que vieste ensinar-me de que substância se faz um amor livre. Como o que te tenho e, mais ainda, como o que te devo.

E um amor livre não cobra, não molda, não espera, não desilude.

Um amor livre sabe que é amor para sempre e por isso aprende a sê-lo em todas as circunstâncias, mesmo que as expectativas se quebrem e os passos se aventurem nas estradas para as quais não traçou roteiro.

Um amor livre conhece as coisas pelas quais vale a pena ser grato: o privilégio da presença, o calor do abraço, o cheiro da pele e o olhar que brilha, porque sabe que aquele é um dos seus lugares felizes.

Quando tu nasceste, nasceste livre, e mesmo que eu seja para sempre prisioneira dessa liberdade, isso não me faz desejá-la menos. Faz-me sim desejar a honra de te ver crescer assim, capaz de respeitar a tua essência e personificar o teu espírito, a cada passo dado. Sempre, inspirado por tudo aquilo que queiras ser e não pelo peso de tudo o que hão-de continuar a esperar de ti.

A estrada é tua meu amor. A porta aberta, essa… será para sempre minha.

P.S – Hoje, a reflexão trouxe-me esta música. Amanhã, ouvimo-la os dois.

“Já não sou teu filho!”

Hoje, depois de um acordo cumprido, fechaste a cara, olhaste-me nos olhos e gritaste: “Já não sou teu filho!”

Eu, que já me digladiei com um “És má!” ou com um mais comum: “Tu não mandas em mim!”, recebi a ordem de despejo como uma espécie de mergulho de chapa, ocasionado por empurrão.

Só eu sei como me desarmaste.

A mim, que aprendi a aceitar que as coisas que às vezes se dizem não são bem aquelas que se querem dizer e que não desejo senão a tua liberdade e a eterna celebração da bravura e impetuosidade do teu ser.

A mim, que todos os dias procuro, consciente, manter viva a certeza de que um filho é um generoso empréstimo que a vida nos trouxe, para que aprendamos verdadeiramente a ser gente… Alimentá-lo em pensamento é fácil. Ouvi-lo feito palavra, é toda uma outra história.

Não me apeteceu devolver-te na mesma moeda. Isso já não.

Já venci essa batalha, no momento em que entendi que crescer com um filho implica abandonar egos, sair do nosso umbigo e da ideia tosca de que tudo o que dizem e fazem, acontece com o objetivo único de nos tirar a paz.

Chegada aqui, já há muito que sinto que este amor que nos une (ainda que tantas vezes nos enleie), é à prova disto e de tudo o que ainda tenhamos de vencer.

Chegada aqui, já há muito que sei que o teu comportamento é sempre resultado de uma necessidade por preencher, de uma emoção por compreender, de uma vontade por expressar… tal como o vértice melhor lapidado da ponta a descoberto de um iceberg, que esconde afinal uma riqueza enorme que nos importa a ambos conhecer.

Aqui, eu até já sou capaz de te ler nos olhos aquilo que as palavras não disseram, sossegando na ideia de que é preciso uma confiança imensa neste porto seguro que te quero ser, para se investir no ataque, sem medo de se perder o lugar na viagem.

Este lugar é teu, meu amor maior e é por isso que chegados aqui, já só nos bastou a resposta: “E eu gosto tanto de ser tua mãe…”

adolescentes

“O meu filho não acata os meus limites!”

(Ponto de partida para este texto: os limites não se impõem. Compreendem-se, experimentam-se e constroem-se em conjunto.)

A questão dos limites e do seu (in)cumprimento por parte dos filhos é uma das dificuldades que mais as famílias partilham. E se a questão na infância era mais ou menos contornável, com maior ou menor criatividade, com maior ou menor flexibilidade, na adolescência pode tornar-se um verdadeiro desafio, sobretudo quando as ferramentas usadas anteriormente se basearam na intimidação, na ameaça ou na coação.

Sim, porque na adolescência eles já são do nosso tamanho e as características do pensamento formal já lhes permitem chegar a uma concepção das coisas e do mundo muito própria e mais refletida. E ainda bem.

Do lado dos pais, aumenta a frustração, a sensação de impotência e a reatividade, que muitas vezes se transformam em gritos, ordens e distância afetiva crescente.

Na verdade, ainda que saibamos que nada disto funciona, rapidamente corremos o risco de ficar sem recursos e entrar numa espiral de negatividade, marcada por um padrão de comunicação corrosiva, que não trará com certeza bem estar a nenhum dos protagonistas desta história.

Pensar em limites e na sua construção com os nossos filhos implica que tenhamos, antes de qualquer outra coisa, a lucidez de descobrir algumas coisas dentro de nós:

Primeiro, reconhecer que o nosso único super poder enquanto pais é a capacidade de nos conectarmos com os nossos filhos, sabendo que é ela que nos permitirá criar um espaço de crescimento e entendimento conjunto, mesmo nos momentos mais desafiantes.

Depois, libertarmo-nos do pensamento automático de que tudo o que nossos filhos fazem, tem como objetivo atingir-nos, desafiar-nos maltratar-nos. Não minha gente, não tem. Nem tudo é sobre nós. Na maioria das situações e em relação a vários aspectos, existem outras motivações por detrás do comportamento de um adolescente e elas não passarão pela maquiavélica tarefa de levar o pai ou a mãe aos arames. Desenvolver esta consciência, far-nos-á toda a diferença.

Por outro lado, saber que uma das grandes tarefas da adolescência é precisamente conquistar uma maior autonomia perante a família, permite-nos ser mais empáticos com a natural e desejável necessidade dos adolescentes de sentir que conquistam, progressivamente, um maior controlo sobre si próprios e sobre as decisões da sua vida. Da mesma forma, que saber que um córtex pré frontal ainda em desenvolvimento no cérebro adolescente, interfere com a capacidade de organização e planeamento nesta fase de vida, deixando facilmente cair por terra o compromisso assumido de arrumar o quarto no dia seguinte (sem que tal tenha sido maquiavelicamente premeditado, lembra-te…). Já para não falar na também dificuldade no adiamento da recompensa (típica no cérebro adolescente), sempre que alguma atividade mais interessante se meta no caminho.

Voltamos assim ao ponto de partida deste texto: Os limites não se impõem. Compreendem-se, experimentam-se e constroem-se em conjunto e enchem-se de sentido e de significado sempre que:

  1. São respeitadores e espelham uma preocupação genuína: “Reparei que estás a chegar mais tarde a casa. Para mim é importante saber que estás bem e quando te atrasas fico preocupada. Qual é a tua sugestão para consigamos respeitar-nos neste assunto?”
  2. São flexíveis e resultam da nossa capacidade de sermos empáticos: ”Vejo que ontem foi o aniversário da Sara e que por estarem a divertir-se tanto foi difícil sair mais cedo. Na próxima vez é mesmo importante que me avises que é um dia especial e que têm outros planos, para que possamos pensar em conjunto na melhor hora e forma de regresso.”
  3. São específicos e participados: “Combinámos que tomarias o teu banho antes do jantar, pelas 19h30. Obrigada. Fico contente que tenhamos chegado a um acordo, com base naquele que é o melhor momento para ti.”
  4. Recorrem ao humor e desdramatizam “Olha, pareceu-me ver alguém alguém no quarto parecido com o João! Impossível, a esta hora o João já está no duche…”

Os limites são importantes às famílias porque traduzem aquelas que são as suas rotinas, tarefas ou tradições e por isso devem ser adaptados às suas características e dinâmica conjunta, atendendo também às necessidades e especificidades de cada um dos seus elementos.

A nossa reflexão enquanto pais e mães sobre os limites que reconhecemos como essenciais, permite-nos entender se efetivamente estamos em sintonia com os mesmos ou se, pelo contrário, obedecemos-lhes  e a eles recorremos apenas e só, porque os herdámos da relação com os nossos pais ou porque outro alguém os defendeu como importantes.

Aceitar que alguns deles podem não nos servir, naquele que é o nosso propósito na relação com os nossos filhos e permitir que os mesmos possam ser refletidos, participados e construídos em conjunto, é o passo mais importante para que efetivamente se constituiam como um bom apoio à navegação.

Afinal, não é o limite em si que garante que o mesmo seja respeitado, ou até que tenha alguma utilidade. É, sobretudo, a forma como o sentimos, como o identificamos e como o comunicamos.

É este entendimento que permite que, de uma forma conectada e respeitadora, as diferentes necessidades (de pais e filhos) possam ser atendidas. E que todos se sintam parte importante da viagem de crescer.

A verdadeira missão da parentalidade.

Ter um filho.

Podemos começar por aqui.
Pela ideia que tantas vezes ouvimos acerca das motivações para a parentalidade: “Engravidei porque queria muito ter um filho” ou, “Desde miúda que sonhava ter filhos. Não um, mas muitos”, ou até, “A minha mulher sempre quis ter uma menina. Eu já me dava por contente por já ter o João.”

Ter um filho.

Pari-lo, alimentá-lo, cuidá-lo, mimá-lo. Dar-lhe o nosso melhor para que um dia se torne muito melhor do que nós, e assim nos afague o ego, nos redima de todos os lados lunares e se cumpra nas expectativas da pessoa que gostaríamos de ter sido.

Ter um filho.

Vinculá-lo a nós, amarrá-lo à ideia que temos de quem é, torná-lo refém da nossa aprovação, para que nos honre e se torne merecedor do nosso mais perfeito amor.

Desaprender.

Sentir o seu crescimento, a sua força de ser, a luz, que às vezes, de tão intensa, quase nos cega. Vê-lo desabrochar, sem saber ao certo o tom predominante das pétalas que lhe nascem dentro. Ouvir a sua essência, celebrar a sua unicidade e permitir-lhe a liberdade de a experimentar, a cada descoberta que faça sobre si.

Renascer.

Em quem somos e em tudo o que somos juntos. Um filho que é afinal mestre de vida, capaz de iluminar os lugares mais esquecidos em nós, não só porque precisamos de nos relacionar com eles, mas também porque precisamos de os compreender, de os sarar e, progressivamente, nos tornarmos conscientes de quem somos, abrindo o coração à ideia de que este filho É, para além de nós.

Aceitar.

Olhá-lo como parceiro de jornada. Livre, meticulosamente perfeito na sua imperfeição, nas escolhas que faça, na personificação do seu espírito. Sempre, inspirado por tudo aquilo que queira ser e não pelo peso de tudo o que hão-de continuar a esperar de si.

É aqui que se aprende a amar incondicionalmente. Só aqui.

E é aqui, precisamente neste ponto de viragem e de consciência, que começa verdadeiramente a mais corajosa e transformadora viagem da nossa existência: Sermos pais.

Tudo, porque um dia sonhámos ter um filho e descobrimos que afinal, éramos nós que nos tornávamos para sempre seus…

Let it snow, let it snow, let it snow…

 

Primeiro, o pânico: Estamos em Dezembro!
Depois, a palmadinha nas costas: Respira fundo. Tenho boas dicas para ti…

Todos os anos é a mesma coisa. Ando o ano inteiro a sonhar com o Natal e a fervilhar de ideias brilhantes para criar coisas especiais e pôr estas mãozinhas de artista a trabalhar e depois, chego ao mês do dito, a não dar conta do assunto e a pensar: Caramba, I did it again!

A verdade é que mesmo que os presentes não saiam exatamente como o figurino imaginado, sairão, e por cá continuaremos a tentar que as escolhas se façam com o coração e pela vontade de mimar, cada uma das pessoas bonitas que nos enchem a vida.

Ficam por isso algumas sugestões, já testadas e aprovadas pela malta cá de casa:

Jogos de madeira. Podem ser comboios, casinhas de bonecas, puzzles, instrumentos musicais… São bonitos (às vezes apetece-me pô-los a decorar a sala), não precisam de pilhas, apelam à imaginação, deixam memórias e duram imenso tempo (ao contrário do plástico fantástico).

Brinquedos artesanais: pensar num brinquedo como uma peça única, criada por alguém que pôs nele o seu tempo e a sua dedicação, torna tudo mais especial. Transmitir essa ideia aos miúdos falando-lhes sobre a história de quem deu vida àquele brinquedo, contribui para quem entendam este valor e o procurem nas escolhas que façam. O projeto Biscoitos é um projeto assim, bonito e concebido com muito amor, em que cada detalhe conta uma história feliz e nos prepara para muitas outras. De certeza que perto de vós existem amigos, familiares, pequenos comerciantes com mãos de fada ou de duende, capazes de produzir tesouros que se tornarão presentes raros e muito especiais.

Jogos de tabuleiro ou outros. Por cá os preferidos são o mikado, o xadrez, o jenga, o dominó, o jogo da memória e um baralho de cartas. São jogos com benefícios enormes ao nível da aprendizagem, da memória, da atenção, da motricidade fina, e são ainda uma excelente forma de terminar os serões. Este ano descobrimos numa feira de artesanato, um jogo de madeira chamado a escada de Jacó que, vos garanto, vai fazer brilhar os olhos de curiosidade e desafio, dos miúdos que moram aí em casa.

Pincéis, tintas, marcadores, blocos de papel, barro, plasticina… Tudo o que permita explorar materiais, conhecer melhor as cores, experimentar texturas, arriscar o traço é, na minha opinião, do melhor que há para estimular a criatividade, o conhecimento e a livre expressão de emoções e sentimentos;

Livros. Sempre e muitos. Há, hoje em dia, livros para crianças de enorme qualidade. Desde os textos, às ilustrações, aos temas abordados… a maior dificuldade será sempre ter de escolher. Um dos nossos preferidos é o “Pássaro da Alma” de Michal Snunit, que vale a pena conhecer e não mais largar. Depois, existem outros como o “Leonardo, o Monstro Terrível” de Mo Willems, que vos arrancarão umas boas gargalhadas e ainda darão para falar sobre assuntos importantes. Por cá andamos deliciados com a descoberta do “Robot Selvagem” de Peter Brown que conta a história fantástica de Roz, uma robot que vive numa ilha selvagem e cujas aventuras permitem aprender tanto sobre amizade, cooperação, respeito pela diferença, proteção do meio ambiente e progresso tecnológico. Uma espécie de Robinson Crusoé do futuro. Uma delícia, portanto.

Música. Pode ser um cd de qualidade, como por exemplo o “Mão Verde” de Capicua e Pedro Geraldes, que é também um livro, ou o da Luísa Sobral que adoramos, ou podem também ser instrumentos musicais, como um ukulele, uma pandeireta, uma viola, uma flauta… Cá em casa temos alguns e é sempre uma alegria imensa organizar concertos em família;

Experiências. A ideia é pensar numa atividade/ momento em família (um concerto, uma viagem, uma ida ao cinema, um piquenique…) e oferecê-lo num postal ou até num desenho. Valoriza os momentos (mais do que os presentes materiais) e é mais uma oportunidade para estarmos juntos e “experimentar”.

Solidariedade. E porque andamos sempre a apregoar que o Natal é um momento para celebrar o amor ao próximo, a família, os afetos, a generosidade… mas tantas vezes fazemos efetivamente muito pouco, para tornar as intenções verdadeiras, partilho convosco as ideias de uma leitora muito querida que, em família, opta por comprar oferecer um brinquedo ou uma roupa a uma instituição ou a alguém que precise de apoio e comprar estrelinhas da Associação Make a Wish.
(obrigada Célia !:) )

Made by us. Já há alguns anos que tentamos não comprar presentes para adultos e deitamos mãos à obra para tornar os mimos ainda mais especiais: uma compota de abóbora, um frasquinho de granola caseira, azeite aromatizado, um pacotinho de biscoitos feitos em família, são só alguns exemplos possíveis. O resto, só depende da vossa imaginação. Os mais pequenos gostam imenso de participar, desde a confeção até ao último toque especial no embrulho. E eu acredito mesmo, que estes presentes únicos e personalizados, chegam mais depressa ao coração de quem os recebe.

Para terminar, continuo a falar numa ideia de que gosto muito: um globo terrestre, daqueles iluminados. Oferecemos um ao nosso filho há uns anos atrás e sempre que falamos de um país novo lá vamos nós, a pedido, apontar onde o dito fica. Pode ser que seja um empurrãozinho para fazer crescer a vontade de mundo.

E para que eles aprendam, devagarinho (e para sempre), que o Natal é muito mais do que um saco cheio de presentes, tornemo-nos mais conscientes do nosso papel enquanto famílias, esquecendo o telemóvel e o computador, constituindo equipas na cozinha para fazer filhozes e aletria, vestindo casacos quentinhos para passear ao ar livre e sobretudo, demorando os jantares para que neles se converse, se olhe nos olhos e se faça sentir a todos que, afinal… já todos temos tudo, o que efetivamente é preciso ter.

Feliz Natal, pessoas tão bonitas!

Nota: E porque às vezes para entender é preciso fazer pensar, partilho convosco um anúncio produzido pela Ikea, que nos deixa o coração apertado, de tão real que esta cena podia ser…

…Que a comer bem, se cresce bem.

Conheço a Ana desde a minha infância.
Crescemos juntas no banco de jardim da praceta onde a minha avó morava e mesmo depois de alguns anos sem nos vermos, quis a vida que continuássemos a escrever a história, desta vez pela mão dos nossos filhos. E tem sido tão bom descobrir que o essencial não nos fugiu com os anos e que a empatia e o sorriso se mantêm de boa saúde e para ficar.

A Ana é nutricionista e a paixão pela alimentação e pela diferença que aquilo que se come pode significar no bem estar das pessoas, fê-la dedicar-se a tempo inteiro a um projeto pessoal que tem como missão ajudar as pessoas a tornarem-se mais saudáveis e mais satisfeitas com o seu peso e com quem são. Assim, para além das consultas de nutrição que assegura (a um valor atento às necessidades atuais e capaz de fazer chegar a todos e a todas a possibilidade de usufruir desse apoio), a Ana ainda é responsável pelo projeto Quintal Saudável, no qual nos brinda generosamente, com menus diários, cuidados e equilibrados, tendo como base a dieta mediterrânea e como premissas o sabor e a criatividade.

A Ana aceitou o meu convite e inaugura este nosso cantinho com algumas ideias pensadas para pais de adolescentes, relativamente à alimentação nesta fase de vida. Ora aproveitem muito, e já agora vão escolher uma receita boa para experimentar em família. 😉

Como deve ser pensada a alimentação na adolescência?

Alimentar-se de forma equilibrada e variada durante a adolescência é tão importante como em qualquer outra fase do crescimento. No entanto, muitas necessidades têm de ser supridas para assegurar o rápido desenvolvimento que acontece nesta fase de vida. Assim, podemos considerar que um dia alimentar saudável deve ser composto por 5 a 6 refeições – pequeno-almoço, meio da manhã, almoço, meio da tarde, jantar e, caso se justifique, a ceia, assumindo como regra que o intervalo entre refeições seja próximo das 3 horas/máximo.

Que dicas práticas podem ser úteis?

Devem ser evitados bolos, cereais muito açucarados, sumos/refrigerantes, croissants e folhados com cremes, pãezinhos com chocolate, leites achocolatados ou iogurtes com guloseimas incorporadas. Se os nossos filhos não gostarem de legumes ou saladas, desde que comam a sopa já não é problemático. Tentar colocar na sopa as verduras que normalmente são rejeitadas no prato, pode ser uma estratégia, por exemplo. O mesmo se passa com a fruta, quando a evitam, podemos tentar sugerir em batido com leite ou uma sobremesa com fruta triturada. É importante ter atenção aos sumos naturais que normalmente levam uma grande quantidade de fruta (+- 3 peças por copo) e são muito ricos em açúcar. São boas fontes de vitaminas e minerais, mas pobres em fibra, por isso podem ser oferecidos 1 a 2 vezes por semana.

Podes dar-nos um menu diário que consideres equilibrado nesta fase de vida?

Sim, claro. Existem muitas possibilidades mas estas podem ser algumas delas:

Pequeno-almoço: deve ser composto por um lacticínio ou substituto vegetal + cereais integrais com pouco açúcar/ pão escuro/ tostas + fruta

Exemplos: 

  • Leite + flocos de trigo integral tostados + banana
  • Leite + pão integral/ sementes + fiambre de aves + 1 kiwi
  • Iogurte natural + flocos de milho + maçã
  • Tostas integrais + queijo de barrar + 1 laranja
  • Leite + pão torrado + manteiga

Meio da manhã: pode incluir 1 peça de fruta + bolachas/ tostas integrais/ pão/ iogurte/ queijo/ frutos secos

Exemplos: 

  • maçã + bolachas de arroz/ integrais
  • iogurte + bolachas/ tostas integrais
  • fruta + iogurte
  • fruta + frutos secos
  • fruta + gelatina sem açúcar
  • palitos de cenoura + tostas integrais + queijo fundido
  • maçã + queijo flamengo + 2 nozes

Almoço: deve ser composto idealmente por uma sopa de legumes + segundo prato – com uma proporção correta dos alimentos ( ½ prato de vegetais + ¼ prato fonte proteica + ¼ prato fonte de hidratos de carbono)

Meio da tarde: deve ser constituído por derivado lácteo ou substituto vegetal + cereais/ pão / tostas + fruta.

Exemplos:

  • pão com queijo + fruta ou sumo natural de fruta
  • cereais integrais + leite/ bebida vegetal + fruta
  • pão com fiambre de aves + iogurte + fruta
  • batido de leite e fruta + bolachas integrais
  • tostas com queijo de barrar + tomate cereja + chá
  • pão torrado com queijo-fresco + fruta

Jantar: deve ser semelhante ao almoço.

Sabemos também que a alimentação desempenha um papel fundamental nos períodos de maior stress e exigência intelectual. Que sugestões darias de alimentos benéficos em período de exames, por exemplo?

Existem alguns alimentos que ajudam a melhorar a concentração e a memória, mas é necessário incluí-los numa base diária, e não somente em alturas de exames. Talvez o mais importante seja não os descurar nestas alturas mais exigentes do ponto de vista intelectual. Destaco os alimentos fornecedores de ómega 3 – salmão, sardinha, atum, cavala, óleo de fígado de bacalhau, sementes de chia/linhaça, nozes – necessário para o desenvolvimento do tecido cerebral; alimentos ricos em antioxidantes (frutos vermelhos, frutos secos, legumes e fruta em geral). E, porque a principal fonte de energia do cérebro são os açúcares, estes também têm um papel muito importante. Devem ser escolhidos os de absorção lenta – leguminosas, arroz, massa, batata, pão escuro, cereais integrais – que fazem com que os níveis de glicose no sangue se mantenham mais estáveis.

E em relação a uma das grandes preocupações atuais, a do apelo ao consumo de fast-food, que acaba por ser muito popular entre os mais jovens, como é que podemos contribuir, enquanto pais, para escolhas mais conscientes?

Sabemos que é difícil conseguir controlar tudo na alimentação dos nossos filhos, mas uma vez não são vezes, e desde que a exceção não passe a ser a regra, podemos permiti-los esporadicamente. É importante, no entanto, dar-lhes algumas dicas acerca das melhores opções – escolher água em vez de refrigerante, carne grelhada em vez de bife panado, evitar comer toda a porção das batatas fritas e dos molhos que as acompanham… e sempre, fazer em casa versões mais saudáveis e até, convidar os amigos, para comprovar o sabor!

E qual é o papel dos pais e da família no meio disto tudo?

O mais importante na alimentação das crianças e adolescentes (como em tantas outras coisas) é precisamente o exemplo que damos em casa. Os pais serão sempre modelos de vida e o exemplo contagia…ter disponível e comer regularmente sopa, acompanhar sempre o prato com uma salada (variando o máximo possível), escolher maioritariamente água como acompanhamento da refeição, evitar fritos e os cozinhados com muita gordura e privilegiar os pratos mais simples e coloridos.

Ah, e deixar que eles participem sempre na seleção dos alimentos e na preparação da refeição. Isto vai encorajá-los a provar os seus próprios petiscos. (e se a cozinha ficar um caos, será mais uma oportunidade para ensinarmos mais qualquer coisa e trabalharmos em equipa.) 🙂

Ana Leal

Contactos: 912735486
Email: info@analeal.pt
analeal.pt
quintalsaudavel.com