10 coisas que odiavas quando eras adolescente.

Toda a gente sabe que quando nos tornamos mães e pais somos acometidos por uma espécie de amnésia seletiva, que nos leva a esquecer uma boa parte de quem fomos antes.

É como se nos reinventássemos, numa desejada melhor versão de nós próprios que, por mais bem intencionada que seja, acaba sempre por deixar pelo caminho coisas importantes, como por exemplo, o facto de já termos tido a idade dos nossos filhos e de já ter sido nosso, o seu sentir.

E porque às vezes é preciso fazer um rewind para que os passos em frente se façam mais felizes, arrisco-me hoje a trazer de volta algumas das coisas que talvez te tenham feito “subir as paredes” quando eras adolescente.

Ora vamos a elas…

  1. Que não te ouvissem. Exatamente quando ias começar a explicar-te, lá vinha a voz da razão que dizia algo deste género: “Já estou a ver onde queres chegar! Nem penses nisso!” E tanto que tu tinhas treinado a argumentação na noite anterior…
  2. Que banalizassem tudo. Tenho uma amiga a quem a mãe dizia: “Deixa lá filha, os homens são como os autocarros. Não apanhas este, apanhas o próximo!” Lembras-te de alguma semelhante, que te fizesse ter a certeza que os teus pais estavam a milhas do que estavas a sentir?
  3. Que partilhassem a tua intimidade com toda a gente. “Nem imaginas o tempo que passa a pôr laca na poupa.” ou, “Agora lá em casa só come ervas. Manias.”. E tu só desejavas enfiar-te no primeiro buraco que te aparecesse…
  4. Que generalizassem tudo o que fazias. Andavas tu a dar o teu melhor e lá vinham os vaticínios começados por: “Estás sempre a…” ou “Tu nunca…” Bah.
  5. Que criticassem a roupa que vestias (válido para o penteado, para a música, alimentação…) Ah, e que te aconselhassem a levar um casaquinho.
  6. Que exigissem que soubesses o que fazer no futuro. “Já sabes qual é o curso? Não vais estudar, vais trabalhar!” ou “Tens de pensar bem, porque isto não está para brincadeiras!” E tu sabias disso, mas nem sempre era fácil decidir.
  7. Que duvidassem da tua capacidade para escolher os amigos (válido para os namorados/as também…). E logo quando tu te tinhas conseguido aproximar da malta mais arrojada do liceu…
  8. Que perguntassem “Como foi a escola? Havia sempre tanto para a dizer mas o enjoo da mesma pergunta todos os dias, só resultava num também enjoado: “Correu bem.”
  9. Que ligassem 30 vezes por dia.
  10. Que mandassem ligar outras 30.
  11. Que te comparassem aos outros. “Ah e tal, mas a Mariana foi para a Católica.” “E o que é que eu tenho a ver com isso? – perguntavas tu…” Absolutamente nada, te digo agora eu.
  12. Que pusessem em causa as tuas competências. “Tens a certeza que ficas bem? Se calhar a mãe deixa-te um franguinho guisado feito e basta aquecer…” E tu só querias que se fossem embora depressa, para poderes comer Nestum no sofá (ou quem sabe convidar o resto da malta lá para casa…)
Estas são 12 das frases que, muito provavelmente, odiavas ouvir na adolescência.

Aposto que com boa vontade, conseguias arranjar mais meia dúzia, tal como aposto também que se usares estes exemplos como checklist das tuas reações aos comportamentos dos teus filhos , ainda dás por ti a assinalar alguns.

Toda a gente sabe, que quando nos tornamos mães e pais, a coisa muda de figura e é tão mais fácil falar do que fazer. Afinal, amamentámos as criaturas e aturámos-lhes todas as birras, o que quase nos dá o direito de dizer todas estas coisas. Isso, e o facto de os amarmos como ninguém.

Toda a gente sabe disto, mas às vezes é mesmo preciso trazer a memória do adolescente que fomos e voltar a calçar os ténis, para entender…

P.S – Não te proponho que coles esta lista no frigorífico, porque existem coisas que devemos guardar para nós, mas se a colares num lugar mais reservado (pode ser no coração), sempre dá para lhe dar uma olhadela volta e meia… Eles agradecem. E tu já te lembras porquê. 

O que eles precisam de ti…

“Não vale a pena. Na maior parte das vezes, ninguém lá em casa se interessa pela minha opinião ou sequer conhece as coisas que me preocupam. Simplesmente, já me habituei.”

Ela chama-se Joana. Tem 15 anos. Tem uma família que a ama. Sabe disso. Mas às vezes, sabê-lo não é suficiente, mesmo que nos digam que assim é. Às vezes (muitas vezes), é preciso sentir. É preciso que aqueles de quem mais gostamos, parem a rotina dos dias, nos olhem nos olhos e perguntem: “Como estás?” E depois sejam capazes de esperar pela resposta, e ouvi-la. Com o corpo todo.

A história da Joana, que se assemelha às histórias de muitos outros miúdos que conheço, faz-me pensar sobre aquilo que os nossos filhos podem precisar de nós, sobretudo quando entram na adolescência e lidam com um sem fim de mudanças, às vezes tão difíceis de integrar. Profundamente crente que a consciência que temos, enquanto pais e mães, destas necessidades pode ter um impacto importante na relação que com eles construímos todos os dias, melhorando-a, arrisco-me a propor que pensemos naquilo que os filhos adolescentes precisam de nós:

Precisam dos nossos limites. Poder-se-ia pensar que o que mais desejariam no mundo seria andar por sua conta e risco, sem horários, nem justificações. Nada disso (e são eles que o dizem!). Não existe sensação de maior segurança afetiva do que a de saber que existe alguém que se preocupa, que espera por nós, que se zanga quando pisamos a linha para além do aceitável. Faz-nos sentir amados. Estabelecer as regras da família, que incluem os horários de regresso, as tarefas em casa, mas também o respeito e a clareza dos diferentes papéis familiares, e acordar consequências para o não cumprimento do que foi definido, é fundamental para que se sintam mais seguros. De quem são e do que esperam de si.

Precisam que os libertemos. Embora às vezes surja alguma confusão em relação a este assunto, permitir-lhes mais liberdade nada tem a ver com a ausência de limites. Tem a ver com deixá-los experimentar coisas novas, ser autónomos, conquistar responsabilidades, fazer amigos… É assim que conhecem o mundo e se preparam para se tornarem adultos.

Precisam que os saibamos ouvir. Eles precisam de falar. Uns fazem-nos com mais facilidade e com mais pormenor do que outros, mas fazem-no, sempre que lhes é dada oportunidade ou quando sentem que é o momento. Ouvir até ao fim, sem a pretensão de acharmos que já sabemos o que vai sair dali (mesmo que em 99% das vezes seja verdade…). Ouvir sem criticar e sem fazer piadas irónicas. Ouvir, tentando imaginar o que sentem. E sempre, entender os silêncios e não desistir.

Precisam dos nossos mimos. É natural enchê-los de beijos e de festas quando são pequeninos e fofos. À medida que crescem, podemos facilmente perder o hábito do toque. Ou porque eles rejeitam, ou porque nos sentimos sem jeito. É normal que não queiram andar a receber beijos constantes da mãe ou do pai (sobretudo se há amigos por perto), mas saber-lhes-á muito bem receber um beijo ou um abraço apertado de bons dias, ou uma festa na cabeça quando passamos por perto. O toque é importante e deve manter-se como forma de comunicação, ainda que com o devido enquadramento que esta fase de vida geralmente exige.

Precisam que os queiramos conhecer. Sim, nós conhecemo-los melhor do que ninguém, mas eles continuam a mudar todos os dias. Saber mais sobre a música que ouvem, a pessoa de quem gostam, as dificuldades que têm na escola ou os projetos de vida, dá-nos muito tema de conversa e fá-los sentir que somos capazes de nos descentrar de nós e daquilo a que estamos habituados, e aprender.

E porque esta reflexão já vai longa, talvez porque enorme é o desafio de ajudar um filho a crescer, há uma coisa que eles precisarão sempre, por mais anos que passem: Precisam que acreditemos, sem nunca desistir da pessoa que são.

A vida às vezes não é fácil e a adolescência não o é com toda a certeza (lembras-te?). É não sabermos bem quem somos e absorvermos tudo o que dizem de nós. É arriscar o que nunca se fez e, quando dá para o torto, achar que é o fim o mundo. É um sem fim de coisas novas a acontecer que constantemente desafiam e ameaçam a pessoa que queremos ser. E claro, no meio de todo este turbilhão de emoções e de incertezas, é preciso alguém que acredite, que insista e que diga: “Vai em frente!”. Todos os dias.

É pela importância disto que as bancadas da primeira fila estão reservadas às mães, aos pais, aos avós… É por causa disto que eles as procuram com os olhos e sorriem por dentro, sempre que as encontram cheias.

Quando eles preferem morrer…

Há, numa mãe ou num pai que perde um filho, uma permanente ferida aberta, que não tolera curativos, nem admite suturas. Há, na ideia de perder um filho, qualquer coisa que corrói, que envenena, que mata por dentro. Por isso, quando um filho nos diz “quem me dera morrer” há algo em nós que se assusta irremediavelmente, que se lembra de todas as mães e de todos os pais que ficaram sem mundo, sem chão, sem bem maior. E que sofre com eles, apenas e só, pelo fantasma de uma ideia assim.

A depressão na adolescência faz-se acompanhar por sintomas como a incapacidade de sentir prazer, a desesperança, a culpabilização, a diminuição da concentração e a baixa auto estima. São também frequentes as alterações no sono e no apetite que, a par da sintomatologia atrás descrita, causam impacto significativo no rendimento escolar. Outro dos sintomas que pode surgir associado à depressão, é a ideação suicida, definida pela presença de pensamentos relacionados com autoagressão ou morte auto infligida, podendo estar ou não ligados a intenção suicida. Mas há algo que temos de saber: Os comportamentos suicidários estão entre as primeiras causas de morte na adolescência.

Por tudo isto, por mais que doa e por mais que assuste, é preciso pensar e falar sobre o assunto, de forma a que possamos compreender e ajudar.

Podemos ajudar sempre que estivermos próximos e quisermos saber mais. Não sob a forma de um interrogatório, mas procurando, com tranquilidade, o momento mais oportuno para conversar. Pode ser importante conhecer o que se esconde por detrás da tristeza, da desmotivação, do sentimento de inutilidade ou de vazio. Afirmações como: “Sei que às vezes a vida pode ser difícil e gostava de poder ajudar-te”, contribuem para reforçar o amor que lhes temos, fazendo sentir que é para nós importante saber como apoiar. Perguntas como: “Quando é que te sentes mais preocupado?”, “ O que é que gostavas que pudesse ser diferente?”, “Com o que é que está a ser mais difícil lidar?”… favorecem uma compreensão mais profunda do problema, o que por sua vez abre caminho a que possamos, efetivamente, ser um dos suportes que precisam.

Podemos ajudar sempre que formos capazes de aceitar o que estão a sentir. Eu sei que enquanto pais, lidar com a dor dos nossos filhos é extremamente difícil e que, naturalmente, a nossa tendência será distraí-los dessa dor. No entanto, quando o sofrimento é psicológico é fundamental ouvir, sem julgar, sem recriminar, sem desvalorizar, sem enunciar uma lista de coisas pelas quais deviam sentir-se felizes. Não se sentem, e é importante aceitar esta ideia e receber, sem filtro, as emoções e as experiências dolorosas que vivenciam.

Podemos ajudar sempre que tratarmos com honestidade aquilo que partilham. Se falam em suicídio, é importante não evitar o tema. Perguntar: “Quando falas em querer morrer, estás a pensar em matar-te?” ou “Toda a dor que sentes já te fez pensar em magoares-te?”, permite explorar se existem planos mais definidos a este nível, não contribuindo para alimentar a ideia (que é muitas vezes um dos nossos medos), mas mostrando disponibilidade e abertura.

E finalmente podemos ajudar, sempre que confiamos no nosso instinto e procuramos ajuda. Os sintomas de depressão não desaparecem por si, não são “só uma fase” e exigem que olhemos para eles de frente e com a seriedade que merecem. A identificação conjunta de alguns recursos como o do acompanhamento psicológico, é fundamental para que se sintam mais apoiados e possam aprender a olhar de uma forma positiva para dentro de si e a desenvolver estratégias mais adaptativas para lidar com os desafios do mundo externo.

Falar sobre a morte com aqueles a quem demos vida, pode ser extraordinariamente assustador, mas pode também significar-lhes o alívio, o alento e a aceitação de que precisam no momento. Para depois agarrar a vontade de outros amanhãs…

Quando o gato lhes come a língua.
E demora a devolvê-la…

– Ah e tal, dizem-me que o mais importante é falar com o meu/minha filho/a.

– Verdade.

– Mas e se ele não fala comigo?

– Pois…

A mudança nos padrões de comunicação pode ser uma realidade, mais ou menos sentida, na maioria das famílias e é reflexo das muitas mudanças ocorridas na adolescência, que implicam uma maior introspeção e a necessidade de reorganização interna.

Ora para quem se habitou a ter dos filhos respostas rápidas sempre que os questionava sobre a vida e sobre a escola, pode ser especialmente difícil obter um vago e insípido “Hum, hum…”, sempre que tenta saber mais.

Ainda assim, mesmo que às vezes seja frustrante, vale a pena insistir e comunicar, pelo que aqui vão algumas propostas que talvez ajudem:

Banalizar os momentos de conversa. Falar no caminho para a escola, durante o jantar, enquanto fazem compras, durante uma caminhada… torna a comunicação parte da rotina e traz a naturalidade necessária a que os temas sérios aconteçam, sem que a sua seriedade seja entendida como solene… e chata.

Fechar as perguntas. Ajuda a trazer respostas mais significativas e espontâneas. “Qual foi a aula mais interessante hoje? A de Português ou a de Matemática?” ou “ Numa escala de 0-10, como é que correu o teu dia?”

Partilhar quem somos. Falar sobre nós, sobre o desafio que estamos a atravessar no trabalho, sobre a ideia de tirar um curso de pintura, sobre o restaurante novo onde fomos almoçar, etc, contribui para que se sintam mais próximos e valorizados na sua presença.

Sermos honestos. “Eu entendo que agora não te apeteça falar mas eu gostava de compreender melhor o que se passa e poder ajudar. Como achas que posso fazê-lo?” Mostrar-lhes que estamos atentos será sempre positivo. Dizer-lhes que sabemos que é difícil torna-nos mais empáticos. Pedir-lhes ajuda sobre a melhor forma de apoiar fá-los sentirem-se respeitados.

Não levar a peito. Podem existir dias em que, mesmo que te pintes de amarelo e faças o pino, não consigas sacar-lhe um sorriso ou uma frase completa. Não é um ataque pessoal nem significa que não vocês não tenham uma boa relação, pode apenas querer dizer que aquele não é um dia bom (tu também os tens). Outros dias virão e com eles outras oportunidades. Eles precisam da segurança de que tu sabes disso. E entendes.

Dar asas à comunicação. A comunicação faz-se de muitas formas e se a palavra não funcionar existe sempre a possibilidade de escrever. Podem fugir das conversas “tête-à-tête”, mas gostarão de encontrar um post-it num local estratégico a dizer: “Estou tão orgulhosa/o da forma como resolveste o problema com a Joana”, ou um email a dizer que o teste de Filosofia vai correr bem. Não é o meio que usamos para comunicar que é mais importante, mas sim garantir que a informação lhes chega e não os deixa esquecer que estamos por perto e nos importamos.

Propor alternativas. Uma vez que estas coisas nem sempre vão funcionar ou até porque sabemos que há assuntos que são particularmente difíceis (para nós ou para eles), é importante que existam momentos com outros adultos significativos. Um almoço estratégico com uma tia com quem se identificam e têm boa relação, um pedido de ajuda a um professor de referência ou a sugestão de uma conversa com o psicólogo da escola, podem constituir canais de comunicação importantes e extremamente protetores.

E por fim, porque tu tens em mãos a mais incrível missão, esta é para ti: Senta-te, respira e confia.

Nem sempre a estrada é fácil, nem sempre estarás preparada/o, e vais ter medo… muitas e muitas vezes. Mas no meio deste turbilhão de emoções, existe a certeza de que ajudar alguém a crescer, é uma das experiências mais extraordinárias que a vida nos pode dar.

O resto, dar-te-ão eles, no sábio retorno e na doce sensação de que vive em vós o segredo de um amor maior.

“Pedrinhas” para o caminho…

Eu sei… Às vezes tens a sensação que os teus filhos foram levados durante a noite por uma nave espacial e voltaram no dia seguinte, sob a pele de uma qualquer espécie alienígena. E isso não é fácil. Nem para ti, nem para eles, que estão ainda a aprender a readaptar-se a si próprios e ao mundo que os rodeia.

No desafio constante de ajudar os filhos a crescer, o importante não é que sejamos pais perfeitos (isso são histórias da carochinha), mas sim que nos lembremos disso todos os dias e não deixemos nunca, de tentar trazer à tona aquilo que em nós existe de melhor, na consciência de que isso lhes será sempre inspirador.

Tal como não existem pais perfeitos, também não existem respostas mágicas que caibam a todas as famílias da mesma forma, mas existem “pedrinhas” que lançadas no momento certo, podem ajudar a encontrar caminhos mais positivos e afetivamente significativos, capazes de transformar as crises da adolescência em verdadeiras janelas de oportunidade. Atrevo-me a “atirar” algumas…

Conhecer o que os apaixona. Se na infância a coisa até é fácil porque eles tendem a idolatrar-nos e a mostrar interesse por tudo o que fazemos, uma maior maturidade traz, na adolescência, o desejo de construir significados próprios e de fazer escolhas pessoais. Pode ser a música, pode ser a tribo de pertença, pode ser o desporto…o importante é que sintam que queremos saber mais sobre aquilo que os move e os motiva. (Nota: não tens de pintar o cabelo de roxo neste processo de identificação);

Assobiar para o lado. Há coisas que simplesmente não precisam de ser transformadas em cavalos de batalha. Ainda que o gosto com que escolhem a roupa seja questionável ou que a paixão desenfreada pelo Justin Bieber nos pareça disparatada, estas experiências fazem parte da sua individualidade e devem ser respeitadas. É importante que a nossa autoridade se reserve para as situações em que o seu bem estar ou a qualidade da relação connosco ou com os outros é colocada em causa. Dizer “não” constantemente, só porque sim, banaliza-o e pode interferir com a honestidade com que nos procuram;

Alimentar as relações com outros adultos próximos. Mesmo sabendo que existe em nós o desejo (pouco assumido) de sermos sempre os seus únicos confidentes, é fundamental que sejamos capazes de estimular relações de confiança com outras pessoas. Tios, irmãos mais velhos, professores, poderão desempenhar um papel de suporte extremamente protetor, permitindo-lhes partilhar dúvidas e anseios, sem o medo de que lhes dê um treco (como a nós certamente daria…);

Deixá-los falhar. A vida às vezes é dura e a resiliência é talvez a competência mais valiosa que lhes podemos ensinar. Se estivermos constantemente a “resgatar” os nossos filhos dos apuros em que se metam, estaremos a impedir que desenvolvam as estratégias para lhes fazer face. Faltou ao exame de condução porque ficou a dormir? Terá de juntar dinheiro para marcar um novo. Perdeu pela enésima vez o autocarro? Uma caminhada fresquinha até à escola, só lhe fará bem. Passar por estas situações e experimentar as suas consequências só os tornará mais responsáveis e conscientes das suas ações. Meio caminho andado para o desenvolvimento da capacidade tolerância à frustração e da autonomia, tão importantes na idade adulta;

Estar por perto. Deixá-los sentir o sabor de uma decisão pouco refletida, não significa afastarmo-nos deles. É importante a noção de que todos cometemos erros e que o amor que nos une será sempre mais forte do que os desvios mais atribulados. Possamos sempre falar sobre o assunto e avançar.

E da mesma forma, é fundamental que cresçam na segurança de que nos orgulhamos das suas conquistas e que estaremos sempre na bancada da frente. Envolvidos, entusiasmados, apaixonados. Por quem são e por tudo aquilo que serão capazes de fazer. Como se voltássemos ao momento dos primeiros passos, do primeiro sorriso…

Créditos da imagem: Lília Nunes Reis, porque em família não há fórmulas mágicas mas há momentos que o são e assim, nos transcendem… Obrigada, Lília.

Tribos sem índios.

Ela apanhava-me em casa todas as manhãs para seguirmos juntas para o liceu. Vestíamos camisa de xadrez, larga, calças de ganga e ténis AllStar. À tiracolo, uma bolsinha a puxar para o hippie, completava o figurino. Casaco nem vê-lo. Fizesse chuva ou um frio de rachar. Nada que não se aguente aos 16 anos, porque o importante mesmo, é dar o corpo ao manifesto.

Nos intervalos das aulas, encontrávamo-nos todos junto ao parapeito da janela que dava para o corredor do refeitório. Comíamos croissants de massa folhada a meio da manhã. Éramos um “bando”. Cúmplices nos gestos, na música, nos gostos. Parceiros nos sonhos, nos planos para as férias e a achar que teríamos sempre todo o tempo do mundo. Não tivemos, mas ainda assim, aproveitámo-lo bem.

A adolescência representa talvez, no ciclo vital, o período de desenvolvimento mais desafiante e exigente do indivíduo, pela natureza das transformações que nela ocorrem. Uma dessas transformações, muitas vezes a que causa maior impacto na família, é a que ocorre ao nível das relações sociais, num processo de alargamento das crenças e valores, em que os amigos assumem o papel principal.

Um adolescente de 16 anos quer ainda misturar-se na multidão, ser aceite e respeitado pelo grupo de pertença e isso implica muitas vezes comportar-se como os amigos e adotar os comportamentos preconizados pela maioria. É o grupo que afinal condiciona as relações sociais dos seus membros e que define o manual de normas – valores, estilos de vida, moda, música… entendido e aceite por todos. E esta sensação confortável de que “este é o meu lugar” é de uma enorme proteção para o jovem, contribuindo para o seu bem estar e permitindo que se construam relações de proximidade e suporte significativas.

Por outro lado, como já era de esperar porque tudo tem o seu revés, o conformismo ao grupo pode tornar-se tóxico, sempre que coloque em causa os valores do adolescente e o obrigue a adoptar comportamentos com os quais não concorda, transformando-o em alguém que efetivamente não é. Importa por isso pensar de que forma podemos estar próximos, contribuindo para que se “enturmem” sem perder aquela que é a sua individualidade:

Treinar competências pessoais e sociais, estimulando a tomada de posição e a auto-afirmação no palco lá de casa. Podemos não concordar, podemos achar que têm o mundo no umbigo, mas é seu o direito de defenderem e expressarem aqueles que são os seus valores;

Alargar o círculo relacional da família. Viver numa redoma pais-filho(s) limita a possibilidade de interação. Quando os pais têm também eles relações significativas fora do seio familiar e se envolvem em projetos na comunidade, permitem aos filhos movimentar-se em diferentes grupos e ter diferentes experiências de socialização;

Conhecer a companhia dos filhos e convidá-la a entrar. Tenho um amigo na casa de quem eram sempre feitas as jantaradas de grupo da universidade e há pouco tempo, quando me encontrei com a mãe, valorizei-lhe a paciência dessa altura (a casa ficava em “estado de sítio”!), ao que ela me respondeu: “Assim tive oportunidade de vos conhecer a todos e isso deixou-me sempre mais tranquila”. Saber quem são os amigos dos filhos permite-nos estar próximos das pessoas de quem gostam, compreendendo a importância que assumem nas suas vidas e o papel que desempenham no funcionamento do grupo.

E por fim mas não menos importante, lembrarmo-nos de como foi connosco. Da cumplicidade, dos risos, das lágrimas partilhadas nos desgostos de amor, das zangas que eram o fim do mundo, para no dia seguinte tudo voltar a ser como antes.

A experiência de um amigo é talvez a que mais nos ilumina por dentro e a que mais nos protege ao longo da vida, e para que esse milagre aconteça e eles escolham as suas tribos é preciso deixá-los seguir, explorar e conhecer… os desconhecidos.

Nota: E como já vem sendo um hábito bom, os créditos da imagem são da muito querida Lília Nunes Reis.

Histórias de sexo e de género.

O João chegou para atendimento. O motivo não era diferente de tantos outros.

O João estava apaixonado e queria iniciar a sua vida sexual. Tinha combinado com a namorada que era sua a tarefa de arranjar preservativo.

Na palestra da escola já tinham aprendido tudo. A confirmar a data de validade, a tirá-lo da embalagem, com cuidado, a segurar o reservatório, para não ficar com ar, para só depois o desenrolar.. O João e a namorada estavam informados e por isso, preparados.

Depois de conversarmos um pouco, o João guardou no bolso alguns preservativos mas, ao invés de se levantar, porque a fila lá fora era grande, o João ficou.

Perguntei-lhe se tinha mais alguma dúvida. E foi aí que a expressão do seu rosto alterou, que as mãos suaram e as palavras não saíram. Havia alguma coisa a angustiar o João e nós precisámos de tempo.

– “Sabe, o problema… O problema é que eu gosto dela. Mas eu gosto MESMO dela!”

– “Mas isso é bom João. É uma decisão importante…”

– “Pois, só que aqui… aqui o rapaz sou eu! E é suposto eu saber como se faz, certo?”

A ficha caiu-me.

O João estava a sofrer com aquilo que os outros esperavam de si. Neste caso, com aquilo que o seu grande amor esperava de si. Com a agravante de que ele era “o homem daquela relação.”

A sexualidade na adolescência é muito marcada por influências sociais, culturais e pelas expectativas às quais os jovens acreditam ter de corresponder e que obedecem a padrões pré definidos pelo sexo a que pertencem.

Às raparigas, pede-se ainda, que sejam comedidas, maduras, que valorizem os afetos e não o prazer ou o desejo, não devendo nunca deixar escapar qualquer manifestação explícita de interesse por um rapaz.

Já os rapazes, querem-se excitados, masculinos e fortes. É a eles que cabe a tarefa de conquista da rapariga, desvalorizando ou disfarçando quaisquer sinais de emotividade. A masculinidade é avaliada pelo número de conquistas ou “curtes” exibidas, a par das histórias, verdadeiras ou não, contadas aos colegas nos balneários.

As especificações que envolvem os papéis sexuais acima descritos, fazem parte da nossa existência enquanto seres humanos e, apesar de algumas transformações ao longo da evolução das sociedades, existem traços que permanecem estáveis e que perpetuam formas de agir e reagir sexualmente, consoante se seja homem ou mulher.

Experimentem perguntar aos vossos/as filhos/as, como é conhecida entre o grupo, uma rapariga que tem muitos namorados. E um rapaz? A resposta continua a ser, invariavelmente, a mesma…

Estes estereótipos, difundidos e alimentados pelo grupo de pares, assumem muitas vezes contornos de um manual de instruções e, inevitavelmente, exercem influência na forma como os adolescentes vivem a sua sexualidade e como a percepcionam nos outros.

Saber disto é não dizer aos meninos quando se assustam, que têm de ser uns valentes porque têm de proteger as meninas. É deixá-los chorar sempre que queiram e verbalizar o que sentem, o que os magoa, sem acharmos que têm uma “sensibilidade” estranha, feminina…

Saber disto é deixá-los crescer na certeza de que é seu o direito de não saber como se faz, o direito de pedir ajuda e o direito de viver uma sexualidade que é única e que é livre do orgão genital com que nasceram.

E finalmente, não saber disto pode significar que um dia, se a vida se fizer mais difícil, uns copos atrás de um balcão de um bar se tornem a solução mais fácil e eficaz. Afinal, só as mulheres é que ficam deprimidas…

 

P.S – Coisas boas que ajudam a pensar sobre o que andamos a dizer aos meninos e às meninas…

Dicas para estudar…

Vocês veem-se a braços com a necessidade de melhor organizar o estudo. Nós, queremos ajudar mas às vezes a coisa não é fácil e depressa estamos a despejar conselhos do tipo: “No meu tempo…”

Quando isso acontece, vocês ouvem: “No tempo da Maria Cachucha…” E o resto é barulho de fundo.

Malta jovem, nós sabemos, já por aí andámos… mas, conflitos de geração à parte, bora pensar um pouco sobre isto de estudar?

Partindo da certeza de que quando organizamos o nosso estudo e usamos técnicas que ajudam a aprender, os resultados que obtemos melhoram e os objetivos que definimos não se perdem pelo caminho, aqui ficam algumas ideias que podem ser boas sugestões quando o tempo é de estudo:

  1. Começa a estudar cedo e planeia aquilo que vais estudar durante a semana. Podes usar um calendário em papel ou até recorrer aos calendários do Google. Nele podes anotar tudo o que pretendes fazer em cada dia. Inclui neste registo os tempos de estudo, os tempos de lazer e os tempos dedicados às atividades extracurriculares (e claro, as refeições, a escola e o tempo de dormir). Este calendário deve espelhar as tuas rotinas e deve ser flexível quanto baste: se num dia ficaste até mais tarde na gelataria com os amigos, não é o fim do mundo. Compensas no dia seguinte.

  2. Um espaço de estudo bem iluminado e bem organizado é meio caminho andado para que os momentos que lá passas sejam produtivos. Antes de qualquer sessão de estudo é importante que confirmes se tens à mão tudo o que precisas: canetas, cadernos, dicionários, manuais… Todas as vezes que te levantares quando acabaste de te sentar, vão ser vezes em que a tua concentração se vai quebrar e tu vais ter de começar tudo outra vez.

  3. Evita as distrações. O telemóvel e a televisão não são bons companheiros de estudo, por isso dá uma vista de olhos no facebook e nas mensagens antes de começar a estudar e depois desliga tudo o que é tecnologia tentadora. Chato eu sei, mas muito, muito importante.

  4. Usa marcadores fluorescentes para sublinhar os tópicos e as ideias-chave a destacar e post-it para agrupar a informação mais relevante. Estes pequenos truques ajudam a memorizar a matéria com mais facilidade e rapidez.

  5. Se ouvir música te ajuda a concentrares-te melhor, podes fazê-lo mas mantém o volume baixo e tenta que a playlist que escolhes não seja a que mais te entusiasma. A ideia é evitar que desates a dançar e a cantar durante a sessão de estudo.

  6. Transforma a informação que estás trabalhar e coloca-a em palavras tuas. Pode ser um resumo ou um esquema, ou até “dar uma aula” em voz alta. Estes exercícios obrigam-te a perceber se consegues explicar aquilo que acabaste de estudar.

  7. A alimentação e o sono são muito importantes para manter o nosso cérebro disponível para aprender. Dormir bem e pelo menos 7 horas por noite e comer alimentos como as nozes, as maças, os cereais integrais, os frutos vermelhos, o peixe, os ovos e o chocolate preto, ajuda a melhorar a concentração e a estimular as nossas capacidades.

  8. Orgulha-te das tuas conquistas e dos teus erros também. Quando as coisas correm menos bem, importa pensar que estratégias podemos melhorar para ultrapassar as dificuldades. Pode ser o método de estudo, pode ser melhorar os apontamentos nas aulas e até esclarecer todas as dúvidas com o/a professor/a antes dos testes. Lembra-te: uma nota baixa num teste não significa um “Nunca”, mas sim um ”Ainda não”.

E para terminar, porque tu és a pessoa mais importante nesta história, CUIDA DE TI!

Sempre que terminares um período de testes ou uma semana mais desafiante, tira uma tarde para fazeres algo que gostes: pode ser uma saída com um grupo de amigos, pode ser uma ida ao cinema, podem ser umas horas no sofá a ouvir música ou uma maratona da tua série preferida.

Tudo o que te permita fazer uma pausa e quebrar a rotina vai ser importante para ganhar a força que precisas para atingir todos os teus objetivos, para chegar a todos os sonhos. Na escola e na vida.

Bora?

A vida dos outros.

A vida dos outros interessa-me. Ou melhor, a vida dos miúdos com quem trabalho, interessa-me.

Interessa-me porque acredito que não é possível ajudar alguém que não vai bem na escola e nos outros contextos, sem primeiro entender como vai em casa, ou como vai por dentro.

Interessa-me porque tudo aquilo que somos, ou antes, tudo aquilo que mostramos aos outros, é resultado das nossas vivências, reflexo de tudo o que trazemos na “mochila” que colocamos às costas todos os dias.

E há “mochilas” tão pesadas que eu às vezes dou por mim a conter a vontade de chorar, quando ouço as histórias que nelas se carrega.

São histórias de perda, de abandono, de desilusão. São histórias mal explicadas e outras com detalhe a mais. São miúdos que aos 5 viram a mãe sair de casa para só voltar a entrar três anos depois, levar a irmã mais nova e desaparecer outra vez. São miúdos que aos 9 entendem como seu, o dever de proteger a mãe de um pai que grita, que bate e que se embebeda todas as noites. São miúdas que aos 15 se prostituem na rua com a irmã no banco ao lado e a mãe na curva seguinte. São histórias de vidas difíceis que a maioria de nós, felizmente, nunca imaginaria existirem.

São as vidas dos outros, que têm idade para só pensar em sonhos e guardar no coração a fé no mundo e nas pessoas mas que, em vez disso, se preocupam em saber de cor o melhor esconderijo quando os gritos tomam conta de tudo, que gostavam que alguém lhes dissesse a que lugar pertencem e que adormecem a acreditar que é amanhã que as promessas feitas se cumprem e trazem com elas a esperança de que tudo mude.

O comportamento de uma criança ou de um adolescente é sempre sintoma da sua vida psíquica, das suas experiências, da forma como tomaram conta de si.

Ora quando o seu crescimento é marcado por uma vinculação insegura, por momentos de trauma, ausência ou negligência, estará inevitavelmente comprometida a sua capacidade de se ligar aos outros e de lidar com os desafios da vida, nos quais a escola e a aprendizagem se incluem. Capacidade esta, só reparável com o amor das relações que quebram o ciclo, que ajudam a colar os pedaços e a fazer acreditar. Outra vez.

Por tudo isto e porque o sítio onde se nasce continuará a ser sempre uma questão de sorte, não nos limitemos a julgar, a repreender, a criticar, a enquadrar um determinado comportamento naquelas que são as nossas vivências, naquele que é o nosso quadro de valores. Há quem esteja dele muito distante e apenas precise de alguém que saiba olhar e esteja disponível para entender.

Às vezes, aquilo que eu faço é aquilo que me é possível fazer naquele momento e isso não resume tudo aquilo que eu sou. Tudo aquilo o que eu trago cá dentro.

Assim é connosco. Assim será com eles.

Não são “pós de perlimpimpim”, mas ajudam…

Sim eu sei, sou um pouco avessa a manuais de instruções, mas a pedido de muitas famílias, aqui seguem algumas pistas sobre as quais pode ser interessante pensar. Sobretudo, quem tem filhos assim a ficar para o crescido…

  1. Esquece tudo o que pensaste que seria ser mãe/pai de um/a adolescente. A realidade supera todas as expectativas.

  2. Habitua-te ao humor imprevisível, aos comportamentos impulsivos, à alterações emocionais, à necessidade de privacidade.. E respeita-os. Fazem parte do processo crescimento e, como tudo, têm uma explicação. Neste caso, é neurológica.

  3. Não insistas em querer que concordem com tudo o que dizes. Aliás, é até desejável que não o façam. Uma das características mais interessantes da adolescência é a procura de significados próprios, a vontade de contestar, o espírito pouco conformista com o mundo adulto… São estes movimentos que lhes permitirão construir a sua própria identidade e definir-se enquanto pessoas.

  4. Conversa muito, ou pelo menos, mostra que estás por perto e que podes ouvir, sem pré-julgamentos (mesmo que a vontade de dizer meia dúzia de coisas te roa por dentro). Não significa que não dês a tua opinião e que não te faças ouvir. Mas significa que estás disponível e que contigo poderão contar sempre, mesmo que as coisas corram mal. Incondicionalmente.

  5. Se já o eras, mantém-te beijoqueira/o (mas com discrição e sentido de oportunidade). Há sítios proibidos como a porta da escola ou os jantares de amigos, mas, mesmo que o contestem, não há nada que saiba tão bem como um abraço ou um miminho, dados no momento certo. Tenhamos nós 5, 15 ou 50 anos.

  6. Janta com os teus filhos. Vários estudos demonstram que as refeições em família funcionam como um ritual protetor, relativamente à adopção de comportamentos de risco na adolescência.

  7. Participa em atividades comunitárias, vai ao teatro, a concertos, exposições… E leva-os contigo. Todas as experiências culturais e artísticas a que possam ter acesso, na infância e na adolescência, contribuirão para o autoconhecimento e para o seu desenvolvimento pessoal e social.

  8. Incentiva-os sempre a avançar para um desporto. Existe uma associação muito positiva entre a prática desportiva e o desempenho escolar, sendo a primeira uma excelente forma de libertação das tensões acumuladas e de estimulação da atenção, da reflexividade… Para além disso, a maioria dos desportos não se compadece com estilos de vida pouco saudáveis, o que só por si, é um fator extremamente positivo.

  9. Não queiras ser amiga/o dos teus filhos (leia-se: “não queiras substituir os amigos dos teus filhos”). Os pais e mães demasiado cool e intrusivos na relação parental, deixam os adolescentes confusos. É fundamental que cada um se assuma no seu papel e não “misture as águas”. A referência de um pai ou de uma mãe é fundamental como modelo de responsabilidade, apoio e sabedoria para lidar com a realidade. Para além disso, há coisas que se contam aos amigos e não aos pais. E ainda bem.

  10. E por último, mas não menos importante, cuida de ti. Tu és, e serás sempre, o principal modelo dos teus filhos. É contigo que aprenderão a amar a vida, a relacionar-se com outros, a querer o melhor para si, a não desistir… Se fores feliz, ensinarás que se pode sempre, ser feliz.

E chegados ao fim, são 10.

Que não sejam mandamentos, até porque não acredito em relações imaculadas e perfeitas. Acredito sim, que as relações crescem nas suas imperfeições, desde que tenhamos a coragem de as reconhecer e aceitar em nós, mantendo assim viva a certeza, de que todos os dias são dias a estrear e por isso, dias bons para aprender.

Aprender a ser pais, de coração cheio, para aqueles que serão sempre a melhor parte de nós.