Estes dias, que se querem doces…

Eles estão na escola. Nós estamos a trabalhar.

Provavelmente não é a vida que sonhámos, mas é a vida que temos.

Aquela que vai agora começar a correr mais depressa e que nas manhãs de segunda, nos vai deixar a suspirar pelos sábados seguintes. E sim, esta coisa de voltarmos a ter de cumprir horários e não podermos continuar ao sabor do sol e do mar, é chata. Mas faz-se.

A parte mais difícil e a que tantas vezes me atordoa, é a noção clara de que é nesta velocidade dos dias que eles crescem, que mudam, que se tornam gente e que com isso ganham tantas outras coisas, verdadeiramente incríveis, a cada instante.

E enquanto tudo isto se passa, nós estamos, demasiadas vezes, sem tempo ou sem disponibilidade efetiva, para absorver cada segundo desta transformação quase mágica.

O desafio parece tornar-se maior na proporção do “encolher” dos dias, que se mede pela infindável lista de tarefas a que temos de dar resposta.

É por isso a partir deste momento, que devemos estar ainda mais atentos e disponíveis (tornando consciente essa necessidade), para aquilo que é realmente importante na relação com os nossos filhos, que será também o que constituirá porto seguro, nos momentos que se façam mais difíceis.

Depois do afastamento físico do dia, uma boa forma de restabelecer a ligação é em cada chegada a casa, através de um abraço, de uma conversa, da partilha dos desafios vividos: o que foi mais positivo, o que nos fez sentir tristes, o que nos surpreendeu, enfim… tudo o que em nós mudou desde que acordámos de manhã.

Na comunicação com os nossos filhos, as perguntas mais fechadas ajudam ao retorno de respostas específicas, estimulando a conversa e facilitando a construção de pontes de comunicação e afetividade.

E atenção às armadilhas a que cedemos facilmente e que acabam por tomar conta de nós: “Ok, deixa-me só tomar um duche, tirar a loiça da máquina, ler os emails… e já conversamos um bocadinho.”

No excuses.

É fundamental dar-lhes tempo (o que temos e o que precisamos de arranjar), de uma forma real e presente e ser também capaz de o fazer por nossa iniciativa, sem que eles tenham de o pedir ou, no caso dos adolescentes, sem que eles aprendam a achar que isso já não é necessário.

Tenhamos nós a capacidade de chegar perto todos os dias, na certeza de que estas são as rotinas boas que lhes permitirão, por mais que cresçam, descansar no nosso amor. Em cada regresso a casa…

 

P.S- Escrever este texto trouxe-me também a vontade de partilhar este vídeo. Convido-te a que o vejas, de coração aberto e atento, para não esquecer… 

https://www.youtube.com/watch?v=szVqmsOVDZk

6 thoughts on “Estes dias, que se querem doces…

  1. Que palavras tranquilizadoras… A falta de tempo para os pequenotes devem ser fonte de uma verdadeira reflexão!
    Mas com esta rotina que nos é imposta, nada como proporcionar nos pequenos momentos, pedacinhos de verdadeira entrega, amor e aprendizagem…
    Obrigada pelas tuas palavras e sugestões! Vou adoptá-las quando tiver um pequenote! 🙂

    1. E um dos caminhos está mesmo na reflexão, que nos ajuda a questionar, a corrigir, a querer sempre aprender e fazer melhor. O amor, a entrega e a meiguice, esse pequenote já terá. E isso é mais que suficiente para que cresça feliz! 🙂

  2. Eu tenho conseguido, com alguma correria, almoçar com as minhas filhas. É um dos maiores luxos hoje em dia, certo? Quem consegue? Confesso que era mais fácil cada um ficar onde está, mas ao almoço elas falam muito mais, não estão cansadas e adoro vê-las a descalçarem-se e a atirarem-se para o sofá enquanto esperam para o almoço. Sabe-lhes tão bem! E a mim também (apesar de às vezes pensar “que loucura! Sou mesmo masoquista!ahahah”)
    Estes momentos enchem-me a alma, e ficam guardados para sempre nas três 🙂 só é pena o pai estar longe e não conseguir vir também.
    Aproveitar, aproveitar, aproveitar!!!! é o lema! Passa tudo a correr

    1. Tão bom Célia! Infelizmente não consigo fazê-lo sempre tendo em conta os horários de trabalho, mas bem podia tentar fazê-lo de vez em quando. Acho que já seria um bom bálsamo para o coração. A implementar, portanto! 🙂 beijinhos e obrigada pela partilha.

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