Culpa, porque não te quero.

Tenho 4 anos de mãe em cima.

Pouco tempo, dirão alguns. Muito tempo, devolverei eu. Pela imensidão de aprendizagens que cabem nestes 4 anos de vida conjunta. Aprendizagens que me trazem a sabedoria de aceitar que a maternidade não é sempre “cor de rosinha” como a pintam, que há momentos em que me apetece fugir e que é meu o direito de não me sentir derrotada, sempre que não estou à altura das expectativas que criei (ou que criaram por mim).

E assim na tentativa de firmar este compromisso e na esperança de que existam por aí outras mães (ou pais), que também queiram expiar os seus pecados, hoje apetece-me partilhar alguns dos meus. Se calhar não são pecados, são antes “pecadinhos” mas já me lixaram a cabeça algumas vezes…

As vezes em que desejei, nas saídas para levar o lixo e quando toda eu era leite, fraldas e noites sem dormir, atravessar a estrada e continuar a andar. Sem destino nem regresso marcado.

As vezes em que estive tão perto de mandar à merda quem me disse, no primeiro ano de vida do meu filho, que estava na hora de ir ao segundo.

As vezes em que me atrapalhei no jogo do faz de conta, com carros e Invizimals e piratas, apenas e só, porque me sinto ridícula.

As vezes em que comi, às escondidas, os últimos biscoitos do frasco, simplesmente porque estava farta de partilhar.

As vezes em que aldrabei a história antes de dormir para uma versão muito resumida, só porque queria despachar a coisa e cair no sofá.

As vezes em que fui a mãe que me era possível ser, porque os dias não são perfeitos e às vezes as rotinas cansam a alma.

Tenho 4 anos de mãe em cima.

Os mais felizes, os mais angustiantes, os mais desafiantes, os mais corajosos e sem sombra de dúvida, os mais extraordinários da minha vida. E ainda assim, com a consciência de que há momentos difíceis e que só tenho de os aceitar e assumir sem culpas, antes de publicar este texto, pensei duas vezes. “E se acharem que eu sou uma má mãe?”

E é isto. É disto que falo…

 

Nota: A foto que dá asas à liberdade, é da Lília Nunes Reis, que todos os dias me enche o olhar com imagens bonitas. Obrigada a ti, outra vez.

9 thoughts on “Culpa, porque não te quero.

    1. Obrigada Isabel, pela partilha cúmplice e pela aceitação dos pecados, que fazem parte, e só dão beleza à coisa 🙂 beijos grandes

  1. Olá, adorei a parte em que se apetece mandar á M… quando nos falam no 2º filho.
    ainda havia só um mês de eu ser mãe já me diziam isso……
    e vou com 3 meses de ser mãe e o Baby Blue dá cabo de mim…….

    1. Obrigada pela partilha, Sónia. Sim, a febre da insistência com o 2º filho é difícil de tolerar, mesmo que venha com a melhor das intenções (que é o que acontece na maioria dos casos 🙂 Neste caminho da maternidade, o tempo ajuda, e a aceitação dos dias bons, dos menos bons, da nossa humanidade e da certeza de que estamos e estaremos sempre a aprender. Parabéns a si, por estes 3 meses, com todos os desafios e mudanças que eles implicam. <3
      Ah, e mande à m**** sim, nem que seja entredentes... 🙂

    1. Ohhh Diamantino, tão bom! Muito grata pela sua partilha e pela sua força.
      Os “Guapo” não são assim tantos, mas são muito bons! 🙂 Beijinhos para todos.

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