Aos professores. Os bons.

Sou de uma família de professores.

Desde que me sei como gente, que me habituei a ouvir falar de escola, de alunos, de colegas, de livros, de exames, de dias difíceis, de conquistas importantes, enfim, da vida de quem passa grande parte da vida, na escola.

Quis o destino que viesse também eu, na minha profissão, a conviver diariamente com professores, a escutar as suas angústias e a partilhar os seus anseios, em relação à escola e a quem nela habita todos os dias.

Existem profissões que têm em si o poder de mudar o mundo, de salvar vidas e de fazer crescer a esperança. E aqui, falo convicta, dos professores. Dos bons professores.

E os bons professores são aqueles que se dão aos seus alunos todos os dias, que os levam para casa no coração e que procuram, incansavelmente, todas as formas de dar significado ao que é suposto ensinar-se, que tantas vezes está distante da vida e daquilo que é efetiva e afetivamente importante.

Sei por isso de cor, os nomes dos professores que marcaram o meu caminho. Reconheço-lhes as expressões, as marcas do rosto, as palavras ditas no momento certo, o afeto…

Alguns, tiveram a capacidade de me ajudar a compreender a forma como os números se relacionavam, a simplificar equações e a aprender que a matemática está em todo o lado, mesmo que eu tenha com ela uma relação difícil. Outros, fizeram com que me apaixonasse por aquilo que me ensinaram, de tal forma, que decidi fazer disso profissão.

Foi também na escola que aprendi a ser pessoa, que me relacionei com quem era diferente de mim e dos meus e que lidei com desafios gigantes, numa espécie de treino para a vida adulta.

E é afinal isto que a escola nos dá. Bagagem, sentido de ser, educação.

Porque mesmo que muitos me contestem, muito mais do que transmitir conhecimento, na escola EDUCA-SE, ensina-se a crescer. No saber e no coração.

E ainda bem que assim é, porque para muitas crianças e muitos jovens, o que existe para lá dos portões da escola é assustador, é desorganizador e duro, muito duro.

A escola pode tornar-se aqui uma espécie de porto seguro, quando as famílias sofrem e não sabem sê-lo. E os professores, os adultos significativos que com um gesto, uma palavra ou um olhar, têm em si a capacidade mágica de evitar que alguém que cresce, se zangue para sempre. Com as pessoas e com a vida.

Ora, claro que isto não é fácil e que existem cansaços, desalentos e frustrações, que conseguem por vezes desgastar os dias e roubar a esperança das histórias seguintes.

E é por isso eu sei, porque sinto, que os bons professores também precisam de colo. Precisam que lhes digam, muitas e muitas vezes, que podem realmente fazer a diferença e ser fonte de inspiração, conquistando assim a enorme honra de não serem esquecidos.

Eu fá-lo-ei sempre, com a gratidão de quem sabe que tem o privilégio de aprender, todos os dias, com aqueles que têm em si o poder de mudar o mundo.

Seja este um bom ano. De escola e de vida.

22 thoughts on “Aos professores. Os bons.

    1. Obrigada! Beijinhos grandes a ti, que mereces tanto este título e que fazes parte desta minha família, de professores. 🙂

  1. Gostei muito, Rita! Precisamos muito de ler coisas como esta e só tu para nos entenderes de alma e coração. Bem hajas por fazres parte das nossas vidas e nas dos nossos alunos. Beijinhos.

    1. Obrigada Geni. Feliz por ter o privilégio de te conhecer enquanto profissional e amiga e de saber que dás tanto aos teus alunos e tens em ti a capacidade de construir com eles relações de proximidade, afeto e respeito, que tanto significado assume nas suas vidas. Beijinhos grandes, sempre.

  2. Os bons professores são os que tiveram boa formação e principios morais… quem não gosta de crianças, nunca será um bom professor, porque ensinar é amar, e a maior parte dos professores só lhes interessa o material e não a alma de uma criança…

    1. Já João dos Santos dizia “Educa-se com o sentir e não com a inteligência” porque é mesmo preciso amar, para ensinar. E isso, claro está, não é para todos mas é, felizmente, para muitos. 🙂

  3. Obrigada, Rita … não consigo dizer mais nada porque … a Rita conseguiu sintetizar tudo … há quem não entenda … há quem não queira entender … paciência … mas que é uma vida de entrega, é … a escola não é apenas o espaço onde se aprendem conceitos e/ou factos … não se consegue ficar indiferente às angústias e outras situações mais graves, de crianças/adolescentes indefesos, abandonados … violentados … e outras situações mais graves a que a sociedade civil não dá resposta e fica à espera que o “tempo” resolva!!!!

    1. Tão verdade Ana… e é por tudo isso que os bons professores amam aquilo que fazem e “entregam-se” todos os dias, como a Ana refere. À escola e aos alunos. Porque é também isso afinal, que nos dias difíceis, permite que mantenham o foco naquilo que é efetivamente importante e continuem a caminhada. Talvez um dia, todas as pessoas possam saber disto, e o entendam. 🙂

  4. Obrigada, Rita, por estas palavras tão bem alinhadas e com tanto sentido, como tu tão bem sabes fazer.
    Tudo faz mais sentido quando é feito com o coração. Ensinar e aprender também! Parabéns pelo texto e por sempre pores o coração em tudo o que fazes. Beijinhos

    1. Obrigada Fernanda, pelo carinho das palavras e pela escolha da profissão, cheia de desafios mas carregada de significado e importância.
      Um beijinho muito grande. <3

  5. Cara Rita,
    que texto magnífico! que palavras certeiras! que sentir profundo!
    Muito Obrigada! Que todos consigamos começar a mudar o mundo apartir de agora!
    Bem haja!

    1. Tão grata Soraia!
      Quando o caminho se faz cheio de sentido, é só andar em frente. E acreditar. Obrigada por ser umas das pessoas que faz acontecer.
      Muitos beijinhos

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