A força da vulnerabilidade.

Tens medo? Mostra coragem.

Não sabes a resposta? Disfarça, com um ar entendido.

Tens vontade de chorar? Foge daí, antes que alguém dê por isso.

Estás com um problema? Desenrasca-te sozinho/a porque toda a gente tem os seus.

Somos habituados a pensar a vulnerabilidade como uma fraqueza, como algo que nos deixa à mercê dos outros e lhes dá margem para definir o nosso valor enquanto pessoas.

Para não parecer frágil, há que ser prudente. Para não sofrer há que não mostrar sofrimento.

Assim vamos crescendo, a morrer de medo do julgamento dos outros e a aprender a defender o oposto daquilo que estamos a sentir, na busca de um ideal de perfeição disparatado. E inatingível, felizmente.

E depois há o tempo. Os anos que passam, a vida que ensina e que, na maioria das vezes, nos vai deixando mais disponíveis para ouvir quem somos e assim saborearmos o gosto suave da autoaceitação.

Pensar sobre a vulnerabilidade traz-nos a memória das muitas vezes em que achamos que não estamos à altura, que não somos suficientes e nos centramos na ideia de que os outros serão sempre melhores do que nós.

Assumir a nossa vulnerabilidade (e aceitá-la incondicionalmente), traz-nos a força de sentir que sempre que nos expomos, sempre que pedimos ajuda, sempre que baixamos a guarda e recebemos o desafio da incerteza, crescemos por dentro e tornamo-nos melhores pessoas.

Este blogue é um dos meus caminhos, o salto sem paraquedas, a minha entrega.

E eu sou grata, por todas as vezes em que abro o coração e deixo que as palavras me desacertem o passo. Sem medo e sem nenhuma outra garantia, a não ser, a fé em mim.

Que ela um dia me baste e assim, tal como a Sophia, aprenderei também eu “a viver em pleno vento”.

 

Nota: Brené Brown é uma investigadora e uma “contadora de histórias”, que se tem dedicado ao estudo dos processos envolvidos na vulnerabilidade, na coragem e na vergonha. Para saber mais, com quem sabe, espreita o vídeo…

6 thoughts on “A força da vulnerabilidade.

  1. Rita, obrigada pela partilha! Adorei, adorei! Sinto que sou uma privilegiada porque, depois de ouvir este discurso brutal, sinto que estou na direcção certa. Aceito-me, como sou, exponho-me todos os dias, perante miúdos com metade da minha idade e exponho-me com as vulnerabilidades que tenho. E tenho empatia. E dou graças pela vida que tenho (que é tão pouco para uns e tanto para outros), pela família que tenho, dou graças por me sentir tão feliz e acho que sou tão feliz por agradecer e perceber que são os pormenores que fazem da nossa vida algo especial. E não tenho problema nenhum em mostrar vulnerabilidade, em vacilar, em não ter a resposta sempre na ponta da língua. Porque, às vezes, temos que pensar. Porque as respostas formatadas raramente respondem às nossas questões. Tem desvantagens? Deve ter, mas ainda não descobri, ou melhor, talvez faça confusão a quem não consegue sentir-se assim, cheio, cheio de amor pela vida. Como alguém no outro dia me perguntava “como consegue andar sempre bem disposta?”. A vida ensinou-me e eu estive atenta a todos os sinais e aprendi 😉 Obrigada!

    1. Célia, muito grata pela empatia das palavras, pela experiência de aprender a viver e valorizar aquilo que é efetivamente importante. Faço o mesmo caminho e todos os dias ele se constrói de enormes aprendizagens, de pessoas boas, de aceitação incondicional e de muita gratidão (mesmo que às vezes a rotina tente desviar-nos a atenção das pequenas grandes coisas…). E a vida é tão boa assim! 🙂 Obrigada!

  2. Obrigada Rita. Gostei muito. Vim aqui por curiosidade e para satisfazer uma pesquisa e me deparei com este trabalho encantador. Agora eu sei oque fazer…E, terei coragem para enfrentar meus medos com a cabeca erguida procurar ser mais eu do que tentar satisfazer os outros. Assisti o video de Rene e de forma brutal reconheci minha infinita vulnerabilidade e qual tamanha e’ minha ignorancia , mas sempre e’ tempo de reconhecer e cuidar. E, cuidar eu vou. Muito obrigada, belo trabalho. Abracinho, Sonia

    1. Muito grata Sónia, pela sua partilha. E é isso mesmo, coragem para enfrentar os nossos medos e aceitar e respeitar quem somos. A vida torna-se mais honesta e a relação connosco próprios e com os outros, transforma-se. E nas nossas vulnerabilidades, tornamo-nos melhores, mais reais e, infinitamente, pessoas mais bonitas. Um abraço.

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