O meu filho não é como eu. E isso é extraordinário.

De todas as aprendizagens que tenho feito enquanto mãe, esta tem sido a que mais me tem desafiado nos últimos tempos.

Talvez se tenha tornado mais presente agora, que a idade do meu filho já lhe permite argumentar, contestar e contrariar, aquelas que são as minhas ideias sobre a forma como deve agir ou sobre a pessoa que deve ser.

Talvez eu já devesse ter entendido isto, no momento em que deixámos de ser um só, para nos tornarmos dois. No corpo, na vontade, na voz. Mas não… Ainda dou por mim a insistir na culpa ou na frustração, sempre que ele, dando firmeza a quem é, age de forma diferente da que previ.

No dia em que nasceu, eu já sabia que a liberdade de ser é o maior bem que se pode dar a um filho. Mas não basta sabê-lo. É preciso experimentá-lo.

Nesta transformação de mulher e de mãe (de homem e de pai), é preciso caminhar e deixar acontecer, para assim aprender que um amor maior como este nosso, não precisa de ser espelho, nem montra, nem sequer precisa de um guião que antecipe todos os passos, ou reproduza todas as falas.

Pelo contrário, querê-lo seria reduzir a quase nada, a nobre missão de ajudar a crescer.

Um amor maior faz-se das vezes em que aceitamos quem os nossos filhos são, sem filtro ou condição. Das vezes em que trazemos à consciência que não são (nem serão) iguais a nós, nas escolhas, no sentir, nem tão pouco no agir. Faz-se, tanto, das vezes em que abraçamos todas as emoções que o seu comportamento nos acende, nos momentos fáceis e apaixonantes mas, sobretudo, nos mais terríveis e desesperantes.

Aceitar os nossos filhos tal como são. Tarefa que eu julguei tão fácil e que afinal, me é ainda tão exigente.

E se às vezes eu ainda penso: Caramba, não era isto que eu esperava que tu fizesses… também já consigo responder a mim própria: Quem me mandou a mim esperar?

Eu só preciso que sejas, não assim e nem assado. Que sejas. E me permitas a extraordinária aventura de o ser contigo.

 

P.S – E tu? Aceitas os teus filhos tal como são? Acredito tanto que vale a pena pensarmos sobre isto…

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Vania Santa RosaAntónio PinaRita GuapoLuisa Recent comment authors
Luisa
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Luisa

Parabéns, Rita, uma vez mais 🙂

António Pina
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António Pina

Excelente mensagem! Tão simples, tão importante, e tão incompreendida!

Vania Santa Rosa
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Vania Santa Rosa

Maravilhoso texto. Como penso nisso.
Eu só quero que ele seja.