Três mitos sobre a adolescência que todos repetimos.

“Quando ela chegar à adolescência é que vais ver…“ ou,
“Quem me dera ter um botão para o desligar durante esta fase…” ou ainda,
“Como te entendo, o meu também está na “aborrescência”

Quantas vezes não ouvimos já algumas destas frases, vindas de quem atravessa com os filhos a desafiante fase da adolescência. Quantas vezes não pensámos nós: “E agora, o que é que eu faço?”.

Estas e outras ideias sempre estiveram (e continuam a estar), muito associadas ao processo de desenvolvimento adolescente, não facilitando uma adaptação mais positiva dos jovens e das famílias a tudo o que de novo e único acontece.

A adolescência traz consigo mudanças biológicas, intelectuais, emocionais e sexuais importantes, que se traduzem em aquisições singulares no desenvolvimento humano, alterando quem somos, a nossa visão do mundo e a forma como nos relacionamos com os outros. Estas mudanças têm, de facto, um impacto profundo em toda a dinâmica familiar, com os necessários ajustes de quem está numa fase de “sopas e descanso” em relação às relações amorosas, ao círculo de amigos, à profissão – os pais, e de quem vive e goza o mundo pela primeira vez, conquista amizades, experimenta o primeiro amor, sonha planos para o futuro – os filhos. E é muitas vezes este desequilíbrio na balança dos valores e desejos de pais e filhos, que tantos conflitos provoca no relacionamento entre ambos, escurecendo as lentes através das quais se observam e dificultando uma comunicação mais próxima e mais empática.

Vejamos pois algumas das ideias que por aí circulam sobre a adolescência e que em nada facilitam a forma como nos relacionamos com os adolescentes das nossas vidas:

O mito da fase terrível.
A adolescência é uma fase de vida não só fundamental como absolutamente necessária. As transformações que nela acontecem são uma oportunidade única de desenvolvimento pessoal e social, de auto conhecimento, de definição de uma identidade própria, de construção da autonomia e pretendem preparar o indivíduo para a vida adulta, treinando competências práticas que lhes permitirão afinal, construir o próprio caminho, independente do dos pais.
Pensar neste período como um período difícil e quase indesejado, faz-nos temer a mudança, antecipando de uma forma negativa todas as conquistas que nela acontecem. E aquilo que pensamos, é aquilo que transparecemos e aquilo que muitas vezes contamina a comunicação com os nossos filhos, impedindo-nos de nos libertarmos de ideias feitas, e crescer.

O mito da imaturidade.
As últimas investigações sobre o desenvolvimento cerebral nesta etapa de vida permitem pensar os adolescentes como seres altamente adaptáveis e de uma sensibilidade única, preparados para lidar com todas as tarefas com que se deparam. Contrariamente ao que muitas vezes pensamos, na adolescência torna-se já possível fazer a avaliação dos riscos de um determinado comportamento (de uma forma muito próxima da dos adultos), sendo também já possível antecipar as suas consequências. O que aqui interfere na tomada de decisão, é a ponderação que fazem desses riscos, ou seja, o facto de atribuírem uma maior importância à recompensa que pode advir de um determinado comportamento, como por exemplo, obter a admiração dos amigos. Para além disso, a ideia de que não serão capazes de se safar sozinhos, quer no que se refere à gestão doméstica, quer no que se refere à concretização de projetos pessoais, apenas contribui para que se sintam efetivamente incompetentes e inseguros face às decisões que já se encontram, naturalmente, aptos a fazer.

O mito dos pais desnecessários.
Aviso à navegação: a adolescência pode significar alguma turbulência nas relações entre pais e filhos, mas é ela que lhes permitirá “ganhar espaço” e definir quem são, não significando contudo, que os pais deixem de ter um papel fundamental na vida dos filhos. A família constituirá sempre o modelo de identificação mais importante na vida das crianças e adolescentes e são as normas e valores por ela transmitidos que se assumirão como bússola na vida adulta, mesmo que sejam recebidas com uma saudável dose de contestação (desafio-te a garantir que nunca fizeste um rolar de olhos a uma frase dos teus pais, que acabaste por nunca mais esquecer, de tão certeira que se tornou…). As relações positivas na família, marcadas pelo equilíbrio entre autonomia adolescente e controlo parental, são os melhores preditores de bem estar e ajustamento emocional dos jovens, permitindo-lhes ainda a capacidade de lidar de uma forma mais segura e resiliente com os dilemas de vida com que se deparem.

Ajudar a crescer com sentido de honra e admiração, confiar em quem são e naquilo que serão capazes de fazer e estar presente, na maré calma e na tempestade, são afinal as verdades que lhes serão luz e força e espaço para ser. O resto, é ruído de fundo, que impede de ouvir tudo o que de tão fantástico trazem dentro…

 

Nota: E agora, se ainda te faltou um bocadinho para ficares convencido/a, podes deliciar-te com este vídeo. E acreditar. 🙂

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Célia PicoitoRita GuapoEugénia Narra Recent comment authors
Eugénia Narra
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Eugénia Narra

Perfeito!

Célia Picoito
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Célia Picoito

Rita, mais uma vez muito obrigada por partilhar estes pensamentos sobre a adolescência, essa fase maravilhosa e desafiante, mas que, na maioria das vezes, é tão mal compreendida. Depois de ver o video ficamos deslumbrados mas atenção: nem todos serão medalhas de ouro, nem todos serão campeões, ou cientistas ou artistas. Mas mesmo esses, ou principalmente esses (porque os outros já têm a sua aura) têm o seu valor, MUITO VALOR! Muitas vezes andam desnorteados porque não sabem que área escolher……como saber? E só precisam de nós, ali ao lado, a apoiar. Ás vezes é dificil, as caras não são… Read more »