Aos 38…

Há uns dias, depois de mais um desabafo sobre a ainda necessidade de aprender a ser mais contida na forma como me expresso, alguém de quem gosto muito, olhou para mim e disse: “Tu falas com o coração.” Com um suspiro de alívio calei-me e aceitei, sem censura, a coisa mais bonita que me podiam ter dito.

É por isso que a aceitação, de quem sou e da forma como o sou, me parece o rumo certo para honrar o oitavo dos trinta e lhe estrear os passos.

E mesmo que eu já traga a vida vincada no rosto, agora sei que é o coração que fala, com o ímpeto e o desejo próprios de um adolescente. E isto é o que me basta, para gostar tanto de estar aqui…

“Eu construí a casa.

Primeiramente fi-la de ar.
Depois hasteei a bandeira
e deixei-a pendurada
no firmamento, na estrela,
na claridade e na escuridão.

Algo acontece e a vida continua.

A casa cresce e fala,
aguenta-se nos pés,
tem roupa pendurada num andaime,
e como pelo mar a primavera
nadando como uma ninfa marinha
beija a areia de Valparaíso.

Não se pense mais: esta é a casa
tudo o que lhe falta será azul,
agora só precisa de florir
e isso é trabalho da primavera.”

Pablo Neruda, in Plenos Poderes

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