Saber que a família importa. (2 de 5)

A partir do momento em que nos tornamos mães e pais, passamos a viver com uns olhinhos cravados em nós, atentos a tudo o que dizemos e, sobretudo, atentos a tudo o que fazemos.

Para os filhos, os pais constituem o exemplo mais próximo e mais significativo daquilo que é ser-se adulto, pelo que a grande maioria das suas atitudes e comportamentos, se desenham a partir daquilo que aprenderam connosco.

Tal como acontece a outros níveis, os pais afetam as escolhas vocacionais dos filhos, quer através daquilo que expressam verbalmente e das ideias que têm em relação à escola e ao mundo do trabalho quer através do desempenho dos seus diferentes papéis de vida – enquanto pais, enquanto companheiros, enquanto trabalhadores…

Neste sentido, a forma como nos posicionamos em cada um desses papéis, bem como os valores que guiam os nossos comportamentos e atitudes acabam por constituir, por isso só, uma poderosa fonte de inspiração – se eu cresço num ambiente em que o esforço e o empenho são valorizados e realizados, é isso que, naturalmente, procurarei no meu percurso…

Ainda que com a entrada na adolescência tenhamos a sensação de passar a representar uma espécie de papel secundário, neste que é o romance da nossa vida, a investigação tem demonstrado que, paralelamente à importância dos amigos nesta fase de vida, os adolescentes continuam a reconhecer a família como a fonte mais fidedigna de informação. E isto faz com que esperem dos pais compreensão e apoio no debater das suas dúvidas, bem como encorajamento no sentido da exploração e da construção de projetos de vida.

Envolver-se de forma intencional e refletida no percurso escolar e profissional dos nossos filhos, implica construir pontes de diálogo e de comunicação, que se revelarão insubstituíveis nos momentos de maior desafio. Fazê-lo com consciência, afetividade e empatia, traz-lhes a força que precisam para fazer todas as escolhas. De cabeça erguida e coração ao alto.

Na prática: Participar nas reuniões e iniciativas da escola, sempre e até ao fim do seu percurso escolar (a participação da família na vida escolar dos filhos tende a diminuir à medida que progridem no sistema de ensino, mas não é por estarem mais crescidos que deixa de ser importante…). Falar sobre as profissões da família e os percursos feitos, favorece o sentido de pertença (tão protetor para os jovens), bem como o reconhecimento de características comuns, contribuindo também para a obtenção de informações práticas sobre as diferentes possibilidades. Favorecer os momentos de exploração de informação sobre o mundo do trabalho, através de conversas informais com amigos e aproveitar as situações do dia-a-dia para pôr em comum ideias e projetos individuais e familiares, são atividades que promovem a reflexão conjunta, reforçando o impacto positivo que a família pode desempenhar nos processos de exploração e de tomada de decisão vocacional. 

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4 Comentários em "Saber que a família importa. (2 de 5)"

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Elaine
Visitante

Parabéns pela iniciativa!
Precisamos dessas palavras e orientações, nesse mundo tão mecanizado.

Oswaldo
Visitante

É difícil o exercício de ir lá atrás, na nossa própria história, mas lembrar que é ali, que encontramos todas as respostas e dúvidas de como acompanhar nossos pequenos. Somos exemplos no bom e no ruim para eles, e quando nos chamam a atenção, podemos ver o nível de sua boa indole e bons valores. Parabéns pela sequencia dos textos no “Pensar a Adolescência”

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