“Um Bom não é uma boa nota?”

Uma amiga de quem gosto muito e que admiro imenso enquanto mãe, contou-me há uns dias uma história que considero deliciosa, pela forma simples, honesta e tão certeira, com que nos põe no nosso lugar.

A Sara, que está no 2º ano, fez um teste na escola. A professora, no dia de devolver as notas aos alunos, fê-lo em voz alta, para que todos ouvissem as notas de todos (vá-se lá saber porquê, mas isso “são outros quinhentos”…)

A Sara teve um Bom.

Ao chegar a casa, feliz com a conquista, partilhou com a mãe a nota recebida. A reação da mãe, fruto do impulso do momento, foi: “Então e a Mariana, que nota teve?”. Ao que a Sara respondeu prontamente: “Porquê mãe? Um Bom não é uma boa nota?”.

A mãe deu-lhe razão, pediu-lhe desculpa e abraçou-a com força. As duas cresceram por dentro nessa noite.

E assim, sem pedir licença e do alto dos seus 7 anos, a Sara deu-nos, à mãe e a mim, uma enorme lição. Uma lição sobre a vida e sobre tudo aquilo que é efetivamente importante preservar: a capacidade de acarinharmos quem somos e de celebrar os objetivos que alcançamos, sem viver na sombra de ninguém.

Não tenho nada a acrescentar a esta história. Acho que ela se basta a si própria e não quero que palavras a mais, desviem a atenção das coisas grandes que ela ensina.

Eu, sou grata, por tudo o que a Sara me trouxe, quando tão corajosamente lutou, pelo melhor de si.

P.S – Hei-de voltar a este assunto…

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10 Comentários em "“Um Bom não é uma boa nota?”"

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Sónia Esteves
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Boa Sara! O Bom será sempre uma Excelente nota! pois o que importa mesmo é o prazer com que o recebes, pois validou o teu investimento! Tenho sempre em memória uma delícia da minha mãe que me dizia: ” Sónia estás empenhada não estudes mais, descansa pois irás fazer tudo bem, pois o bem é tudo o que sabes neste momento, e isso é que importa! Tive a sorte de ter uma mãe consciente 🙂 Espero eu ter a consciência suficientemente boa para ensinar o mesmo ao Vasco 🙂

Com Amor 🙂
Sónia

Dora Barradas
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Que bom é ter um BOM e saber o valor dele pra si próprio, só por si mesmo .
Temos de educar mais “Saras” destas por ai… mas mãe da Sara , alegra-te que essa resposta assim boa e certeira vem por ter razão de vir na educação que a Sara já recebeu e como cresceu até hoje . Parabéns às duas !!

Rui
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Gostei da história. Já no meu tempo de escola era assim, apesar dos meus 35 anos; lembro-me perfeitamente de haver disciplinas em que os professores chamavam os alunos um a um para entregar os testes e diziam as notas em voz alta, e isto nos meus anos de escola secundária (10º ao 12º). Também me lembro de os meus pais me perguntarem “quanto teve este” e “quanto teve aquele”, mas reconheço que a nossa própria inocência enquanto crianças é que muitas vezes provoca essa habituação – qual é o menino que depois de receber uma nota boa, não vai querer… Read more »
Elizabeth Lopes
Visitante

A Sara apesar de ser uma criança mostrou mais sabedoria do que a mãe. Deveriam haver mais Saras talvez os pais deixassem de ser picuinhas e parar de fazer a vida negra aos professores, pois seus educandos merecem excelente e não bom. Ameaçam tanto que o prof psicologicamente esgotado acaba por dar a nota máxima sem merecer. Estes pais ensinam as crianças a obter tudo muito facilmente, tirando-lhes a motivação , é fazendo deles crianças sem valores. Sei do assunto pois o meu trabalho é esse.

Maria João
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A professora disse alto a nota “sabe-se lá porquê, mas isso são outros quinhentos ” E a mãe perguntou a nota da Mariana porquê? Os professores, tal como as mães são falíveis ? São. E sabe-se porquê sim! PORQUE SÃO HUMANAS! Estou farta dessa coisa que não se pode dizer alto as notas dos meninos. Eu não digo. Por uma questão emocional. Mas a verdade é que quando distribuo os testes, ainda não os entreguei todos e já a turma sabe a nota de cada um! Eles encarregam-se de tricar os testes entre eles e dizer as notas entre si.
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